O Facebook, considerada a maior rede social do mundo, anunciou na última semana que alcançou uma meta: a igualdade salarial entre gêneros para seus funcionários. Sendo assim, mulheres e homens que trabalham na empresa e que possuem a mesma formação acadêmica e desempenham funções semelhantes receberão o mesmo salário ao final do mês.
Em uma empresa onde 68% de seus colaboradores são homens, essa conquista revela uma questão bem mais profunda do que apenas a igualdade salarial. Mostra que são poucas as mulheres que trabalham na companhia, alarmando uma carência estrutural de representatividade e, consequentemente, de vozes femininas.

“Analisamos nossas práticas de compensação para assegurar igualdade de remuneração. Estou orgulhosa de compartilhar isso pelo Facebook, aqui, as mulheres e os homens ganham o mesmo.”

Lori Matloff Goler, vice-presidente do Facebook.

A Microsoft, outra gigante de tecnologia está caminhando para eliminar a diferença salarial entre gênero, revelando que praticamente já acabou com a disparidade de salários entre seus funcionários.

“Estes números refletem nosso compromisso com a igualdade de remuneração em um trabalho igual. Nosso anúncio é o reflexo de mais um passo à frente no caminho da ampla diversidade e inclusão neste ambiente e na sociedade como um todo.”

Vice-presidente executivo de RH da Microsoft, Kathleen Hogan.

No início de 2016, a multinacional Intel divulgou também ser uma das empresas que conseguiu erguer a bandeira da igualdade salarial depois da análise de dados internos
“Foi uma feliz e emocionante surpresa”, contou a gerente oficial de diversidade e inclusão, Danielle Brown.

Em direção ao rumo de igualdade a Apple anunciou que as funcionárias que trabalham nas filiais americanas da marca embolsam 0,4 menos do que seus companheiros de trabalho. Pode não ser uma estatística de igual para igual, porém ainda merece relevância se tratando de um setor com números tão discrepantes como o tecnológico.

NO BRASIL

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2013 aponta que as mulheres recebem 73,7% do salário dos homens. E essa essa desigualdade ainda aumentou: em 2012, essa porcentagem era de 72,8%.

As mulheres em cargos de diretoria ganham, em média, 34.990 reais, enquanto a remuneração para homens é de 40.862 reais.

No setor de tecnologia essa desigualdade é ainda mais alarmante pois os cursos de engenharia de computação nas principais universidades do Brasil tiveram cerca de 11% de mulheres aprovadas nos vestibulares de 2015. Para Andrew Meltzoff, especialista em desenvolvimento infantil o caminho para impedir que estereótipos sobre homens e mulheres desestimulem meninas a seguir carreira nas disciplinas de exatas é manter um diálogo aberto com os filhos desde o início da infância.

O problema tem sido amplamente discutido por autoridades, ONGs e empresas tem criado iniciativas para mudar esse quadro. Exemplo disso é a iniciativa da gigante IBM, que criou o evento “Movimento Empoderamento da Mulher em Tecnologia”, que ocorreu em março para discutir tendências e a carreira das mulheres no setor além de criar uma parceria com universidades para incentivar a participação das mulheres nos cursos de Tecnologia da Informação.

Além do incentivo para a formação de mulheres no setor,
a empresa criou políticas para garantir que 30% das novas contratações em áreas técnicas sejam ocupadas por mulheres. Com ações e debates sobre o tema, empresas ajudam a estimular a quebra de paradigmas, a formação de mulheres na área da tecnologia e incentivam o empoderamento feminino.

 

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