O PLP 2.0 é um aplicativo de celular que será usado para auxiliar as mulheres que estão em situação de violência doméstica e que possuem medidas protetivas. Escolhidas pelo Tribunal de Justiça, as mulheres tem na ferramenta uma prioridade no atendimento por parte da Secretaria de Segurança que desloca uma viatura da Brigada Militar para o atendimento.
Na última segunda-feira, em Porto Alegre, duas moradoras do bairro Restinga em situação de violência começaram utilizar, oficialmente, o aplicativo PLP 2.0.

O objetivo é usá-lo como uma ferramenta discreta e rápida no socorro das usuárias. No aplicativo está instalado:

  1. Botão de Emergência: para as situações graves
  2. Registros de Ocorrências Leves: agressor rondando a casa ou local de trabalho, ligando para fazer ameças ou agressões verbais, etc. Após um determinado número de ocorrências a policia será acionada para verificar a situação
  3. Espaço para compartilhamento de experiências e vídeos para auxiliar na parte emocional das usuárias.

O projeto foi o vencedor do Desafio Social Google 2014 em parceria com o Instituto da Mulher Negra de São Paulo, o Geledés. A instalação do aplicativo ocorreu durante audiência judicial para assinatura do Termo de Uso e Responsabilidade, no 1º Juizado da Vara de Violência Doméstica e Familiar, na presença das representantes das Promotoras Legais Populares, Secretaria da Segurança Pública, Tribunal de Justiça do RS e Ministério Público.

Estávamos ansiosas por este dia, porque – infelizmente – a realidade nos mostra que ainda é preciso desenvolver ferramentas como essa para aumentar a segurança das mulheres

Promotora Legal Popular Carmen Lúcia da Silva trata-se de um momento muito emocionante. “Agradecemos ao Tribunal de Justiça, em nome da juíza Madgéli, a secretaria de segurança e todas as entidades parceiras por terem recebido esse aplicativo com bons e esperançosos olhos”, lembrou.

Já para a *usuária 01, o aplicativo é uma esperança de ter a vida de volta. Aos 25 anos de idade e 5 meses de medida protetiva, ela afirma que até agora não entende por que o marido a agredia: “O problema é a questão cultural, moça. Esses dias eu estava com a minha filha pequena no postinho e ela foi brincar com outro piazinho e no meio da brincadeira os dois se estranharam. Ele foi reclamar para a mãe e ela disse para o guri bater na minha filha porque não deveria apanhar de uma guria muito menor que ele. Como uma mulher incentiva um homem, independente do tamanho ou idade, bater em outra mulher? Criança briga, a gente ensina que não se bate no amiguinho, mas quando é amiguinha a gente deve explicar desde cedo que não se bate em menina nunca. Essas coisas precisam vir de casa”,

A mesma vontade de ter mais segurança é compartilhada pela *usuária 02:”Eu não posso ir numa venda, não posso ir na farmácia, nem na casa da minha mãe porque ele me persegue por todos os lugares. Eu me sinto presa. Agora, sei que quando ouvir ele gritando de longe já posso buscar ajuda sem chamar atenção.”

Fonte: Themis

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