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Há quem diga que este atleta não pode ser bonito. Se possível, ter uma cicatriz no rosto é essencial.

Se fecharmos os olhos e pensarmos em um zagueiro, ele terá 1,90 cm, ombros largos, cara de malvado e dentes de um cão, estilo rottweiler.

Se nas famílias tradicionais se diz que o homem é o “chefe da casa”, no futebol o zagueiro é quem manda na “zona do agrião”.



Lá em casa meu pai já dizia que não se brinca com fogo, muito menos na cozinha.

No futebol, a cozinha é a defesa de um time, bem armada e postada em campo, por vezes parecendo aquelas cozinhas de boteco de beira de estrada. Não se encontra nem onde estão os pratos.

O zagueiro, xerife, beques entre tantos outros apelidos deste monstros sagrados, ê uma espécie de vigilante de um bem precioso. No caso deste esporte, o bem mais precioso é a grande área e sua goleira. Para não ser perturbados neste espaço, os zagueiros dão a sua vida.

No geral, uma boa dupla ou até mesmo trio de zaga, são verdadeiramente cúmplices. Não há posição dentro do futebol que sejam tão parceiros como são os beques.

Algumas defesas de clubes parecem concessionárias de automóvel, de tantos carrinhos que são distribuídos naqueles últimos 20 metros do gramado. Incrível. Inspirador!

Entretanto, alguns desses guerreiros imortais utilizam mais do que apenas caras feias e carrinhos deslizantes pelo gramado. São dotados de categoria extrema e se negam a colocar a bunda no gramado, ou seja, os calções.

São verdadeiros gentleman em campo, fazem daquela metade do gramado uma passarela e jogam como se estivem em um desfile, no mais alto escalão da moda em Milão.

Usam terno e gravata, pisam Gucci nos pés e, como se fossem grandes modelos internacionais, flutuam dentro das quatro linhas.

O zagueiro é folclórico. Ele é o proprietário do chutão, o “cara” que necessariamente deve ser respeitado pelos outros atletas e, principalmente, pelos atacantes adversários. É inadmissível para qualquer torcedor que o zagueiro seja “macio”. Virilidade para um zagueiro respeitado é quase que regra.

Mas por outro lado, aqueles de “terno e gravata” relatados aqui, nos faz lembrar Gamarra, o único zagueiro que passou uma Copa do Mundo sem cometer uma só falta sequer. Gênio!

Zagueiros como esse não existe mais, não se constrói um xerife assim.

Certa feita o atacante Taison, quando jogava no Internacional de Porto Alegre, devido sua velocidade apanhava muito dos seus adversários e em uma entrevista revelou: “Uma vez eu apanhava tanto dos meus marcadores, que uma hora eu falei para um deles: Se tu me bater de novo o Bolívar vai te pegar!”.

Bolívar foi um dos maiores zagueiros da histéria do clube, BI campeão da Libertadores da América, se notabilizou por sua garra, virilidade e se eternizou com o apelido de General, patente dada àqueles que possuem liderança maior de segurança.

Esses super-heróis nos fazem acreditar que nossas defesas são impenetráveis e se tornam guardiões imbatíveis, como se as defesas do clube que defendem fossem portais do tempo.

Proibida a entrada, aqui ninguém passa!

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