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Arte Luiza Maciel Nogueira

Orelha do livro O SONETO DE PANDORA

Uma rota para Atlântida

para José Couto



O homem que se conjuga
atinge-se na porcentagem
adormecida do cérebro.

Por isso ele vibra.
Do nó na garganta
ao laço no cadarço.

E decanta
do gozo prosaico
o êxtase divino.

O homem que se conjuga
sabe que ser
não se limita a ter.

Por isso esvai-se no mundo.
Preenche-se de si
lêncios.

Joelma Bittencourt

Vídeo Poema Produção e realização Willer Lopes

*

flor de lótus

para poeta Jô

o vento alísio sorrindo
vinha lá de kilimanjaro
brincando em redemoinho
levantou tua saia rendada

sim senhora!

a laranja do céu madura
tem estado bem amarga
mesmo com tanto desassossego
ainda partilharmos graças

sim senhora!

os pássaros que cantam árias
no luar de andaluzia
sonharam rapsódias
e passaram a cantarolar luz
na videira do teu quintal

sim senhora!

no jardim de gethsêmani
aos pés do monte das oliveiras
um monje de nazca
ora pela cura prânica
perdoai-nos pela paz silenciada

sim senhora!

um cisco da estrela iridescente
caiu no meu olho nesse instante
um moço de kerala me acudiu
rezou pra santa luzia
soprou as impurezas
benzeu minhas imperfeições

desde então…

sim senhor!

Jose Couto

*

heracliano

para Lázara Papandrea

aqueles versos
escritos sob as águas
pelo menino
nas nascentes dos rios
desaguaram
suas imagens
de infinitas transparências
na imprecisa manhã
que se insinuou

com as mãos em concha
bebi sua paz reverberada
lavei o rosto dos excessos
e de todas ilusões

e um silêncio ensurdecedor
e desmesurado
derramou do meu peito
uma vertente fugaz

capaz de recolher do vento
algo assim como pássaros azuis
para presentear os leitores

Jose Couto

*

Arte Luiza Maciel Noguiera

O MEU SILÊNCIO

é um refugiado mudo
quisera fosse um grito
ao centro do infinito
que encontrasse abrigo

em algum micro circo
sob a insensível surda
imensa lona furada
crivada de balas

pelos donos
deste mundo
por isso sigo
abalado solitário

com o peito abafado
sem avistar janelas
sem casa de lábio fechado
ao leu a ouvir estrelas

DiÔ Diovani Mendonça

pro Jose Couto

*

Arte Jhony Moura

POETA E POESIA

Para o Mestre Jose Couto. Pai dos Poetas!

PRECISO PALAVRAS INCOMPREENSÍVEIS
PARA COMPREENDER O MUNDO
PARA DESTECER A VIDA
DESTOADA ENCHARCADA AGLUTINADA
DESAFORADAMENTE INALTERADA

PRECISO DE UM ESPECTRO QUE SEJA
PARA DIZER UM SIMPLES DESEJA
E ENTÃO OS MEUS ELOS IMPOSSÍVEIS
SERÃO AS ASAS DE UM POEMA
QUE NINGUÉM SAIBA O QUE SINTO
E SE MINTO QUE AS PALAVRAS MASCAREM TUDO

PRECISO SER SEM QUE ME ENCONTREM EM MEU MUNDO
INEXORAVELMENTE PROFUNDO
DE PALAVRAS ESCALAVRAS

PRECISO UM DIZER COMPLETO
REPLETO DE UTOPIAS E FANTASIAS ESCORRENDO
E NA PRECISA IMPRECISÃO DA POESIA
SEREI INCOMPREENSIVELMENTE BELO
CONCRETO EM ADENDO

PERSIGA-ME QUE CORRO NA VIDA E NO VENTO
ENQUANTO ABRO-ME TODA CHEIRANDO A ÊXTASE E SARCASMO
E SE NÃO ENTENDE SE FAÇA E SE INSTIGUE CUENTRO
QUE EM MIM POUCO IMPORTA SER POETA OU POESIA
ESCREVO SEM MIM E ME ADENTRO.

Marta Aguiar
*

Enquanto esperamos o lançamento do inspirado livro de Jose Couto

: O Soneto de Pandora, algumas palavras para seu autor, após a leitura do poema “Autorretrato” que é um dos poemas do livro.

-Autorretrato
– O que sei de mim
– Senão o que se reflete nos outros
– A forma como sou visto
– Por vezes, amo
– por outras, me apavoro.
– O que retorna em mim,
– de mim em outrem
– é um turbilhão de imagens.
– Momentos ora lúcidos,
– ora turvos.
– De uma forma ou de outra
– o que reflito se multiplica
– em Poesia

Themis Groisman Lopes

*

Foto: Rowena Rubim, Clarice Rubim Do Couto, José Couto e Yalis Rubim Couto,

Orelha do livro O SONETO DE PANDORA

fotograma

.

pouco trabalho me custaria
juntar palavras
sob a perspectiva das imagens

:

deveria ser apenas alguns versos
a empilhar agradecimentos

depois de pronto
o fotograma se revelou concha
retraindo lembranças
como se a vida fosse apenas papel de parede
reconheci nele
todas as fortalezas
que os anos ergueram em mim

num mosaico de gotas
retidas em estado de ardência
os versos foram se derretendo
e nua
me entreguei à correnteza

na intenção do poeta
finalmente eu me reconhecia

Lourença Lou

Para o poeta Jose Couto, o dono do caminho

Vídeo produção e realização do mago das imagens Willer Lopes​

Minha gratidão aos queridos amigos🙏🙏🙏

 

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