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Ilustração de Jimi Hendrix realizada especialmente para o poema de Jose Couto:

O  templo



eu penso no hálito de gim e café frio
do solitário cafetão sifilítico
quando vejo a magreza das meninas
contabilizando minguados michês
de seus corpos ocres de não tempo

eu penso no odor do liberal
em sua singela sinceridade
distribuindo moedas
nos semáforos do tempo interrompido

um desolhar de revés
tempo desassossegado fluindo indo in

eu penso no êxtase de jimi rendrix compondo little wing
o ácido no pico exercendo a não liberdade
quando ouço um acorde dissonante ou iluminado
transmutando-nos em seres delicados altruístas
ressignificando perversas desumanidades

eu penso em charles baudelaire
alucinado de ópio e insight desfigurado
reescrevendo a modernidade
“é que nossa alma arriscou pouco ou quase nada.”
quando escrevo o que minha anima inspira
nessas horas onde o tempo germina
auroras luminosas de nossa impermanência

um desolhar de revés
tempo de sincronicidade
relâmpagos dissipando-se em silêncios

Jose Couto

 

Ouça o poema

http://carloseduardovalente.blogspot.com.br/2014/12/o-templo-de-jose-couto.html

*

Poesia a quatro mãos especialmente para a arte de Luiza Maciel Nogueira

*

roteiro da pele

em que momento
escrevi nas estrelas
exorbitei todo este desejo
que apraz em nossa pele
consumindo-nos
com a luz das galáxias de dentro

em que momento
rasguei meus caminhos
reescrevi em minhas solas
as travessias
que nos levaram às vertigens
e às estradas
onde juntamos nossas parcerias

talvez
nem haja momentos
e sejamos apenas
esta ilusão
onde as sombras
inscrevem-se roteiro
na pele da poesia.

Lourença Lou e Jose Couto

*

Poesia a quatro mãos especialmente para a arte de Luiza Maciel Nogueira

*

Serenata da saudade

nunca soube
quando tirei-te
do meu corpo

a estrela está brilhando
seis pontas na madrugada
se meu benzinho não vier
meu violão se cala

também nunca soube
se houve um lado
que não fosse você

moreninha pequenina
cabelos de flores cheirosas
eu tô com saudade
das noites prazerosas

o que sei
é que ainda és
meu sopro de vida
minha prece

minha viola alucinou
meu coração disparou
minha viola silenciou
minha morena me deixou

Lourença Lou e Jose Couto

*

Arte de Luiza Maciel Nogueira especialmente para o poema El Cantador de Jose Couto

*

EL CANTADOR

Para o poeta Antonio Torres

Nadie entiende que lengua
hablan los poeta

Solo ellos acarician lo que sentimos
anticipadamente

Sus letras mezcladas
son besos en la madrugada
en que súbitamente despertamos
y quedamos escuchando ruidos
de los bichos nocturnos

Sus versos polinizan semillas del no tiempo
sobre los delicados, los marginados, los ilegales
los necios
apaciguando los desconciertos

Nadie sabe con que sueñan los poetas
si brújulas o mapas los guían

Solo visualizamos en la niebla turbia
el corte sutil expuesto en su piel
de donde brotan metáforas alucinadas
canciones memorables que son
y no son circunstancias
palabras escritas en las aguas
de los ríos
reverberando verdades
que a veces unen, a veces separan

Nadie quiere saber cual su tema
la fuente que chorrea
la inmaterialidad componiendo
sus incertidumbres

Nadie entiende sus preferencias
por las sobras, los restos, las menudencias
en perjuicio del resplandor
de la gloria de las estrellas

Nadie si conmueve
al ver su mirada perdida
quizás en un lejano atardecer
cuando entendíamos el lenguaje de los pájaros
la soledad de la pandorga
la voz infinitamente azul
del viento oscilando…

Nadie imaginó su afecto
su emoción, la pasión
con que recreó recuerdos
la ternura que le invadió
en el día que su madre bendijo su partida
llevando en el bolsillo
un puñado de tierra resecada
el olor de lluvia mojada
la humedad del sexo sin ruidos
los pies descalzos del inagotable camino

No, nadie reparó
cuanto el poeta atravesó
el paisaje silencioso
abrazó y besó los leprosos
lavó con sándalo
los pies de las prostitutas
bebió aguardiente con los desvalidos
y sentó su desventura en la aridez de la noche

entonó su canto hondo
calmando ovejas descarriadas.

Jose Couto​

Transcriação de Antonio Torres​

*

el cantador

Para o Poeta Antonio Torres​

ninguém entende que língua
falam os poetas
só eles acariciam o que sentimos
antecipadamente

suas letras misturadas
são beijos na madrugada
em que subitamente despertamos
e ficamos ouvindo barulhos dos bichos noturnos

seus versos polinizam sementes do não tempo
sobre os delicados, os marginalizados, os ilegais, os gauches

apaziguando os desconcertos

ninguém sabe com que sonham os poetas
se bússolas ou mapas os guiam
só visualizamos na neblina turva
o corte sutil exposto em sua pele
de onde emergem metáforas alucinadas
cantigas memoriais que são
e não são travessias

palavras escritas nas águas
dos rios
reverberando verdades
que ora unem, ora separam

ninguém quer saber qual seu tema
a fonte que jorra
a imaterialidade forjando
suas incertezas

ninguém entende suas preferências
pelas sobras, os restos, as miudezas
em detrimento ao esplendor
da glória das estrelas

ninguém se comove
ao ver seu olhar perdido
talvez em um longínquo entardecer
quando entendíamos a linguagem dos pássaros
a solidão da pandorga
na voz infinitamente azul
do vento oscilando…

ninguém imaginou seu afeto
sua emoção, a paixão
com que recriou lembranças
a ternura que o invadiu
no dia que a mãe abençoou sua partida
levando no bolso
um pedaço da terra ressecada
o cheiro da chuva molhada
a umidade do sexo sem ruídos
os pés descalços da inesgotável trilha

não, ninguém reparou
quanto o poeta atravessou
a paisagem silencioso
abraçou e beijou os leprosos
lavou com sândalo
os pés das prostitutas
bebeu cachaça com os desvalidos
e sentou sua desventura na aridez da noite

entoou seu canto pungente
apascentando ovelhas desgarradas

Jose Couto​

Ouça o poema na interpretação do poeta Antonio Torres

*

Canção Póstuma N° 2

Subtraí os desassossegos do mundo
para que pudesses sonhar perfumes

Mamãe. ..mamãe…dá a mão pro seu benzinho

O que me coube transbordou
em afeto, luz, perdão
amor incondicional…

Mamãe…mamãe. ..posso ir?
Quantas auroras?

Mãe deixa eu te abraçar
antes da exorbitante e indizível
eternidade
dissipámo-nos

sopro dissoluto deste amanhecer.

Jose Couto

Arte Luiza Maciel Nogueira

Ouça o poema na interpretação do poema Antonio Torres

*

ESTANDARTE DE LOS SUEÑOS

A cada llama o centella
de lo que tú crees sea amor
hay una pared de lágrimas
y peñascos y abismos
para inducirte a no volver
a querer que ese fuego te consuma.

A cada centella o llama
de lo que tú crees sea amor
tu realidad se transforma
y nada más será como antes:
tus creencias serán un torbellino,
no aclaradas ni desmitificadas;
la luna los mares y las rosas
te regalarán sonrisas falsas
y hasta el sabor de los besos
se olvidarán de las estrellas.

A cada llama o centella
de lo que tú crees sea amor
experimentarás de la muerte
pero eso te hará más fuerte
y como las flores al sol
en el amanecer de la primavera
levantarás el estandarte de los sueños
como Fénix o águila en la madurez
a reinventar el verdadero paraíso.

Antonio Torres

Arte Luiza Maciel Nogueira

*

Ilustração de Luiza Maciel Nogueira especialmente para o poema a “máquina do mundo” de José Couto

*

a máquina do mundo

nada se compara a esse entardecer
a lágrima do sol avermelhando o rio
sem culpas esculpindo desejos no silêncio

mas quem verdadeiramente se importa?

e no entanto essa beleza vai impregnando de avessos
a delicadeza que finda na luz que se despede

tão pouco ofereceu esse dia que parte
talvez um minúsculo fragmento de folha
sendo levada sem rumo
pousou seu desvelo aos meus pés
e depois partiu em frêmito alucinante

mas quem verdadeiramente se importou?

entretanto agora nesse porto
esvaziado de opacidades
desprendendo cheiros familiares
algo não tangível
porém me escapa seu sentido
se há algum
transborda preso na garganta
do tamanho de um navio atravessado

mas verdadeiramente
alguém se importa?

a escuridão chega
e nos abraça implacável
vislumbro longe
às fragilidades que o mundo sussurra

despido do tempo que o dia me furtou
reparo nas indeléveis cicatrizes
que os cravos dilaceraram no centro das mãos

e nesse exato instante
revela-se a epifania das infinitudes

perfumes óleos avelãs
a mirra o incenso e o indecifrável

subitamente desaguam
desconcertantes

acendo o último cigarro
caminho sobre às águas turvas
anoitecidas sem compaixão

na margem orixás
babalorixás me saúdam
homens e mulheres registram nos celulares
ambulantes oferecem bugigangas

todos aguardam

antes de tocar as pontas dos dedos
na pele úmida do afluxo

uma esfera esdrúxula
circunspecta drummondiana
de cor incerta
emitindo permanentemente
um mantra stotram
cruza o céu de ponta a ponta
em porto alegre

mas me diga leitor
quem verdadeiramente se importa?

Jose Couto

*

Ilustração de Luiza Maciel Nogueira especialmente para o poema “Inconcluso” de Jose Couto

INCONCLUSO

Enquanto deuses alimentam-se da solidão humana
No longínquo deserto de Mojava
um mantra imperceptível
Ecoa permanentemente
Mas ninguém entende seu significado

Não sabemos mais
Se é emoção que persiste
Ou nos movemos a procura do inesperado

Ardentes são os desejos e as incertezas
Mesmo dispersos
Sóis nascem e se extinguem
a todo momento.

José Couto

Ouça o poema na delicada interpretação de Chris Herrmann

*

Luiza Maciel Nogueira

Links de Luiza Maciel Nogueira
“Na era do excesso o silêncio, o simples, o vazio, o mínimo, o pequeno infinito são preciosos. Pense o que quiser, julgue como quiser, leia se puder.”
 Luiza

https://fineartamerica.com/profiles/1-luiza-maciel
http://versosdeluz.blogspot.com.br/2017/05/poema-atento.html
http://desenhosluizamaciel.blogspot.com.br/

*

Lourença Lou

Livro: “Equilibrista”, poesia. Autora: Lourença Lou.

Disponível para compra e pronto envio:
https://www.editorapenalux.com.br/loja/product_info.php?products_id=413

*

Antonio Torres

Antonio Torres
 Leia mais Antonio Torres

http://oalvoradense.com.br/opiniao/josecouto/antonio-torres

*

Chris Herrmann

GOTA A GOTA

Meu livro de poemas com desenhos inéditos da artista plástica mineira Cristina Arruda. (ed. Scenarium Livros Artesanais)
https://scenariumlivrosartesanais.wordpress.com/2016/09/13/21-gota-a-gota/
www.facebook.com/gotaagota2016

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