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Arte Luiza Maciel Nogueira

Minha Terra tem uns mares
de não caber olhar inteiros
e a cercam alguns ares
de a fazer azul o tempo inteiro.

Arnaldo Sisson

Arte Luiza Maciel Nogueira



*

Sabiás e palmeiras
.
Minhas terras têm doçuras e agruras
Porém só uma me encanta o sabiá…

Há maravilhas coloridas por aqui
Mas aquele verde das palmeiras
É ouro em pó em meus olhos
Marejados deste lado de cá

Lá deixei minhas maiores riquezas
Família, amores, tantos amigos
Belezas que também há por aqui
Contudo, não sem doer isto comigo

Há uma terra que me urge todo dia
Que insiste me ensaiar uma sinfonia
Debaixo das palmeiras, os sabiás
Eles sabem que vivo bem por aqui
E morrendo de saudades de lá
.
Chris Herrmann

Para Jose Couto com carinho, pois foi quem me sugeriu o tema.

Arte Luiza Maciel Nogueira

*

Canção do exílio do menino

Minha terra tem um menino
Sentado na luz verde
Sem camisa e canivete
Mas olhos de jabuticaba

Minha terra tem um menino
Que apenas cisma na luz
Verde – moldura da janela –
Com olhos de aquarela

Na terra dele, sem encanto,
Nenhum anjo em acalanto
O menino poderia ser de mármore
Como Gonçalves Dias, mas não

Fabíola Mazzini Leone

Arte Luiza Maciel Nogueira

*

E o sabiá?

Minha terra tem Palmeiras
Onde canta o sabiá?
Estão aqui as madeireiras
Que não estão no Canadá

Nosso céu já teve estrelas
Sem o manto da fumaça
Nossos bosques seguem mortos
Alvarás saindo à farsa

Em cismar, sozinha, à noite
Penso logo em ladrão
Neurótica, vou à porta
Tetra chave e solidão

Mas minha terra tem Palmeiras
Vasco, Atlético, uma alegria
Internacional, Cruzeiro
E latifúndio na Bahia

Minha terra tem primores
Conhecidos no estrangeiro
Há quem pense que em meu país
Só tem índio e puteiro

Mas índio é o que menos tem.

Adriane Garcia

Arte Luiza Maciel Nogueira

*

expropriados

minha terra tem pobreza
tem soldado na favela
tem menino na lixeira
tem esgoto a céu aberto

minha terra tem grileiro
tem piolho gente astuta
tem varejeira tem verme
explorador de viúva

minha terra tem cadeia
para preto pobre puta
para rico tem dinheiro
tem mansão vantagem
tudo

minha terra?

Líria Lula Da Silva Porto

Arte Luiza Maciel Nogueira

*

INFÂNCIA DO EXÍLIO

Minha terra tem crianças
Desprovidas de direitos
Massacradas pela violência
Dos que dizem representá-las

Minha terra tem escolas
Sucateadas pela ganância
Ignoradas pelos poderosos
Que deveriam honrá-las

Mifuturonha terra tem professores
Desvalorizados e deprimidos
Frustrados ante o descaso
Dos que teriam de reverenciá-los

Minha terra está carente
Tem seu canto emudecido
Apenas geme pela angústia
Da ausência de .

Monica Pâni

Arte Luiza Maciel Nogueira

*

ODE AO EXÍLIO

Nessa terra sem palmeiras
onde cala o sabiá
tem um frio que se esquece
tem um dia que me assalta.

nosso véu tem mais oculto
nosso chão tem mil pedrinhas
nossos bosques gestam vida
nossas vidas mil amores.

de cismar sonho toda falta
do prazer que não vejo por lá
na cidade sem palmeiras
onde cala um sabiá.

Nessa terra sem palmeiras
triste tórrido – não sou.

uma criança me feriu
e me matou todo prazer
nessa terra sem palmeiras
onde cala um sabiá.

Me permita Deus que eu morra
mas sem sentir minha saudade
sem que seja anistiado
da paz que encontro cá.
Não quero viver as palmeiras
onde cala o sabiá.

Luiz Alexandre Cruz Ferreira

Arte Luiza Maciel Nogueira

Exílio na rua Cipó

Minha rua tem sabiás
que ciscam por trás das grades
e cantam como os de lá.

Tem grama por trás das grades.
Tem flores por trás das grades.
Tem grades por trás das grades.

Tem um cipó pendurado
em galho nenhum, na mata
morta, terraplenada.

Por que diabo ainda há sabiás?
Por que cantam, prisioneiros?
Minha terra tem palmeiras.

Paulo Becker

Arte Luiza Maciel Nogueira

*

Poema pré alfabetizado

minha terra
tem tapetes na porta
à espera
de pés no chão

não é fácil cassar
mitos por estas bandas
melhor rogar
por santo de plantão

enquanto tiver muito
olho fechado de dia
e estrela se valendo
da escuridão

minha terra tão querida
não vai ter salvação

é tanto caráter falsificado
que tem inquérito
saindo pelo ladrão

nem sei
se a terra é minha
devo muita prestação

Joelma Bittencourt

Arte Luiza Maciel Nogueira

*

canção do encílho

minha terra já foi berço
ninho de sabiás
as palmeiras se alegravam
com os índios tupinambás

o canto virou sirene
balas perdidas no ar
minha terra dança funk
e ignora os sabiás

as ruas cheias de pobres
acordam com água fria
Brasília não se comove
só me resta ave-maria

se fico sozinho à noite
o pavor vem me encontrar
há medo por todo lado
dormir seguro não dá

minha terra tem horrores
que a ONU quer debelar
em pensar eu me espanto
onde isso vai parar?
meu País zomba de tudo
e engaiola sabiás

oh meu Deus quero ir embora
e somente hei de voltar
quando a corja de ladrões
a Justiça encaixilhar
pra qu’eu replante palmeiras
e volte a ouvir sabiás

Ivy Menon

Arte Luiza Maciel Nogueira

*

Minha Canção do Exílio:

Minha terra tem estranhas
formas de olhar
As luas que aqui azulam
azulam por azular

Nossos poderes têm vis sistemas
Nossas mulheres têm mil dores
Nossos braços têm mais feridas
Nossas feridas mais tumores

Em rezar, sozinha, à noite
Mais raiva eu sinto cá
Minha terra tem sujeiras
difíceis de limpar

Minha terra tem horrores
Que não dá para acreditar
De pensar, sozinha, à noite
mais terror encontro eu cá
Minha terra tem políticos
Que nos chupam a jugular

Não permita Deus que eu corra
Sem que eu leve o luar
Sem que eu descanse dos humores
que vivi por cá
Sem que eu paralise, entre palmeiras,
O pranto do mar

Não permita Deus que morra,
(Apesar dessa porra do Temer)
Minha vontade de ficar!

Lázara Papandrea

Arte Luiza Maciel Nogueira

*

Minha Canção do Exílio:

Convidamos todos os poetas do projeto RELEITURAS a participarem, gravando seu poema e nos enviando.Paulo George, Marcelo Adifa, Gustavo Terra, Nathan Sousa, Flavia D'Angelo, Beatriz Lourenço, Raimundo Fontenele, Tere Tavares, Wander Porto, Inês Santos, Arnaldo Sisson, Chris Herrmann, Líria Lula Da Silva Porto, Adriane Garcia, Fabíola Mazzini Leone, Monica Pâni, Luiz Alexandre Cruz Ferreira, Xande Cruz, Paulo Becker, Joelma Bittencourtt, Ivy Menon, Lourença Lou, Nil Kremer, Marta Aguiar

Publicado por Jose Couto em Sábado, 2 de dezembro de 2017

Cantiga de quem não se exilou

quem me dera
viver numa terra
onde exílio
fosse verbo de enterrar
fomes e indiferenças
fosse ausência de pedras
em caminhos da inocência
fosse bater de asas
do que cala os sabiás

quem me dera
exílio não fosse
esta saudade doída
dos heróis que inventei

Lourença Lou

Arte Luiza Maciel Nogueira

*

Minha terra incompreendida
ferida a céu aberto
abusada geme
em cobertores de papel
e vaselina nas ladeiras

Minha terra beira mar
barra funda
inundações e tsunamis
fome seca
labaredas governamentais

Minha terra tem animais nobres
cobre que se passa por ouro
tesouros nas gentes
rebentos de fé
apesar dos pesares

Não permita Zeus
que a teia dita dureza
queime o resto de pureza
das bananas do quintal

Nil Kremer

Arte Luiza Maciel Nogueira

*

JÁ NÃO HÁ

Gonçalves cantou primeiro
Saudoso de sua terra
Meu canto vem derradeiro
Lembrando do que ela era.

Palmeiras já derrubaram
E construíram mansões
Sabiá? Ainda há?
Ouvi cantar além mar
No exílio dos Caetanos
Nos anos de revoluções

As aves já não gorjeiam
Desaprenderam a pensar!

Estrelas tem nosso céu
Mas há lágrimas nas nossas florestas
Nossas flores crescem sem poetas
E crianças sem lápis e papel
Vivem em carências de amores…
Minha terra tem de tudo
Planta nela e tudo dá
Um frutífero futuro
Traz razão para sonhar!

Dias virão de primores
Em que flores crescerão
E mudarão esta terra
Onde o dinheiro é patrão!

Dias em que direi
Que mais prazer encontro aqui
Tanto pranto e incerteza!…
Há grandeza no porvir?

Marta Aguiar

Arte Luiza Maciel Nogueira

*

Luiza Maciel Nogueira

Links
http://versosdeluz.blogspot.com.br/
http://desenhosluizamaciel.blogspot.com.br/

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