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Que escolha maravilhosa Poeta Jose Couto acompanho a arte de Jeannette Priolli que me inspira e achei a parceria perfeita com meus poemas e vídeos. Este convite é uma oportunidade de aliviarmos o mundo do caos irritante e mergulharmos na velocidade intensa dos pincéis de Jeannette Priolli compondo com a literatura que faço. Que intensidade de cores e contudo que vibração serena. Ela brinca com as cores, colorista de estilo próprio e combinações sugestivas. O mais intenso azul busca a harmonia com o intenso vermelho ou o ouro sol do amarelo funde-se na composição perfeita com réquiem profundo do roxo ou violeta. Suas telas capturam o olhar, sugerem vida. Sinto-me profundamente tocada com o longo futuro que esta obra promete.
Além da Arte lhe agradeço Jeannette Priolli por todas as suas gentilezas.

Cristina Siqueira
***

XI

Feito relógio ao contrário,
que rompe corda de prata,
umbigo, entranhas.
Que escreve na carne o gosto do orgasmo,
que tatua o lamber do desgosto na alma,
pela primeira vez.
Feito reza ao avesso, que desfaz karma,
desfaz despedida, desfaz morte.
Feito quebranto, que se espalha em tantos, tantos pedaços,
e que nunca, nunca mais se juntam.
Feito encanto repetido dia e noite, até a exaustão.
Feito feitiço, sem permissão.
Feito reza forte, e canção nove vezes entoada,
que se entrega em ondas,
ao encontro do que foi,
do que é,
e do que será.
Feito a travessia indecente da verdade,
e a saliva que escorre numa sintonia de afinidade.
O amor quer tudo.
Quer o céu e o inferno.
Quer o outro.

Jô Diniz

Especialmente para Arte de Jeannette Priolli

*

XII

flor de fogo

nasci erotismo
toda tecida
em raízes carnívoras

minhas veias são vulcânicas
mas o que me vai por dentro
não arde diferente
de quem
eleva aos céus as mãos
para não se saciar no próprio gosto

de um jeito todo meu
cultivo flor de fogo
e sem temer a roda da sorte
esmago-me em desafogos
cânticos
gozos
que minha carne pede

e o que mais uma carne pede
senão este crepitar laranja
a transbordar-se em outra carne?

Lourença Lou

Especialmente para Arte de Jeannette Priolli

*

XIII

Medusa bicolor

Uma artista de cabelos brancos
e grande bagagem
Trouxe de Paris os recortes invisíveis de sua viagem
Por eras de viver intenso
⁃ por aqui deixou uma pista
⁃ um tom próprio de vermelho rouge

E nesta fria madrugada me encanto
Com esta medusa de cabeça enigmática
abrasivos cabelos livres apaixonantes
U olho que vê o quarto inteiro
num relance
O complexo e avançado pensamento estético
que me subjuga em diálogo constante
E vejo o tempo da Alma criadora
de Jeannette se enredar em formas
de um cintilante verde-mar azul

Passo por entre os traços
com a candura de criança grande
Brinco com o núcleo espetacular de fragmentos
Tudo tão espontâneo
e tão preciso ao mesmo tempo

Contemplando a tela
respiro mais livremente
saio de mim ,
de meus viciados pensamentos
do flagelo do corpo cansado
Tenho olhos de coração
sem mente
Um grande alívio
E sinto o pulsar da artista ausente

Cristina Siqueira

Especialmente para Arte de Jeannette Priolli

*

XIV

Olhares

Todo o infinito
Tem um começo que se expande
E se estende na busca do que é belo…
Como o infinito homem
Esse que os vermes não comem
Um circulo dentro de um círculo
Que se acha em um ponto e aprende.

Um olho que olha e se olha…
O alvo do indelével
Passeia na luz que é alma
E se enxerga na sombra de Deus
Assim, se acalma.

E o que é finito
No ser que é gente
Perscruta e para de repente
No longo caminho de descobertas
São erros, enganos, jornadas incertas
Na escuridão do nada a nos sabermos
Na certeza de nem a nós mesmos termos
Sempre em busca de um imaginável alvo

E o que se busca?
Um encontro conosco
Nada é tudo o que nos foi posto
Como uma flecha na mão.

Marta Aguiar

Especialmente para Arte de Jeannette Priolli

*

XV

Antes de pôr na moldura

Não conto o sonho
na mesma cor
em que lhe assisto

às vezes
nem conto a cor
ou perco a conta
das cores

já as cores
sempre me contam.

Joelma Bittencourt

Especialmente para Arte de Jeannette Priolli

*

XVI

Jeannette Priolli ao primeiro raio do Sol

Sono
Ensaio de morte e retorno
Não fossem os sonhos
Eu poderia dizer:
Fluí

Mas algo me traga
Uma forma
De potência e gravidade
Quer que eu viva
Corpo amarrado ao lençol da cama

A verdade do breu me espera
Um jardim fluoresce de azul
Apenas para
Guiar-me

Mas acordo, exilada
Todas as manhãs.

Adriane Garcia

Especialmente para Arte de Jeannette Priolli

*

XVII

Impressão digital

Entoar o mantra que reverbera a alma
Com a digital da voz ecoando singularidade,
As mãos direcionando com as palmas
As ondas que ressoam desta sinuosidade.

O nada é um vazio perturbador
Oculto atrás da mascara da estrada.
A boca que profere silêncio
É a mesma que grita desesperada.

Ser um só na multidão
Pode vir a ser sina imutável
De angular solidão

Porém a onisciência impar
Não dualiza o monólogo,
Sutiliza a essência.

José Regi

Especialmente para Arte de Jeannette Priolli

*

XVIII

A tampa do entupido
Sabe quando você só quer passar perfume
para achar que tem que exalar perfume
mesmo que o cheiro cru seja bom?
Acredito que as pessoas admiram perfumes.
Eles escondem cheiros.
Eu admiro os heróis encardidos
em roupas carcomidas
os cães farejadores de carne no céu
(pelo menos ela – ainda não comestível- está no céu).
As promessas do céu são defumadas.
Eu travaria a batalha desnecessária:
provar que carne triturada
é ração de perfume dos que não têm faro.
Mas é só ração para mais um banzo amante
misturado com coisas testadas
ensacadas e classificadas.
Ensinam até a cheirar, os sonhadores:
o cheiro das utopias no quadro de giz
é apagador alérgico a cheiros de apagar.
Farejo.
Já sei disso
antes das pessoas.
O cheiro não serve só para ser cheirado.
As pessoas acharam que escrever
tinha cheiro de tinta de penas e
pranchetas roucas de traços grossos.
Penas não soltam tinta
as mãos suam é com o cheiro de ar.
É placenta pronta para gerar.
Gosto do meu sexo.
Ele é o cheiro que eu conheço.
É o cheiro da flor
que não preciso lembrar o nome
essa flor zonza
voando na luz do abajur
sem cheiro.
As pétalas caíram sem cheiro
do lado da cama troncha de velas aromáticas.
O barulho parecia giz gastado.
Perderia o olfato para você dizer:
Seu lençol é branco como nosso futuro
asséptico
clínico
cego como uma realidade madura
de lençóis das lavanderias express.

Carla Andrade

Especialmente para Arte de Jeannette Priolli

*

XIX

a partir da arte de Jeannette Priori

que
no pequeno fósforo incendiado
é o teu rosto azul que trago
oculto pelo fogo
ouriço despenteado
sobre o corpo leve e magro
trago-o silvícola amado
queimando
em estado iridescente
um rosto quente concentrado
na íris
do meu olho
sob um manto de raízes
de duas cores que abro
como se abrisse todo o azul entretido
no ocre do barro
do teu corpo
e dele o azul saísse em despreparo
abrindo junto os sentidos
de tudo que falo
mas é só o teu rosto
oculto ouriço
o teu rosto sempre um aviso
que me olha
um centro sem centro
hipnótico
uma mandala um incêndio
um ópio
um abismo

Luanna Belmont

Especialmente para Arte de Jeannette Priolli

*

XX

Uma teia azul

uma teia azul bebe o sangue do meu riso — rio sem margem, fundura e a flauta que faltou ao muro no poema de Déo.

uma teia azul me envolve ao chão bêbado de engasgos e tudo que nele germina são soluços e suicídios.

uma teia azul me lagarteia como uma tijubina que se perde no verde e esconde o fio do sonho no silêncio da vereda assombrada.

uma teia azul me adentra os cárceres e se enovela nas embiras líquidas da pele.

uma teia azul alinhava a cicatriz da nova lágrima em carne-viva que se forma nas bitolas do turvo amanhecer nos morros da desmemoria.

uma teia azul me desmaia no vermelho das sementes do sombrião da aldeia primitiva e cospe em minha face nódoas enferrujadas de remorso.

Carvalho Junior

Especialmente para Arte de Jeannette Priolli

*

XXI

meus orgasmos não acontecem embaixo
nem doidera fria
não dá pra ver
nem me olhar
de costas
gelada
à vontade
nascendo torta
é tudo mentira
tá tudo enterrado
compondo minha horta
ervas pro meu chá matinal alucinado
de me despir
e vestir meus vestidos estampados
por baixo das capas lisas
sempre me quebrando heroína
confundindo
reorganizando
destruindo
retorna
a casa nova
sempre dentro o velho guarda roupa
lotado
largado de tantas chaves
e poucas portas
e pouco importa
se é tudo besteira
se meu desejo de menina má não vale uma nota
é tudo mentira meu bem
sentiu?
sentiu só!
sente só
isso entrando
apertado
machucando ilusionado
talvez tortura?
talvez usura?
belo horror
ironia?
não sei
nunca amor!
eu juro que tentei
ligeira sem culpa
confesso
gozei
só não amei
nem a ti
nem a ninguém
nem a mim
se continuo rindo assim
é porque respiro um romance que me torna intrepidamente pura fúlgura
me toma esse incontrolável ser
confesso
sem plumas
sou a pura traição
minha mais linda verdadeira amante
sempre
a morte;
só ela me seduz os sonhos
os cansaços
só ela me inspira as palavras
as cachaças
só ela me põe de quatro
suando frio
só ela cutuca e assopra a ferida
suando quente
só é ela é inteira
vida!
entenda
eu assumo compromissos para ela nunca deixar de me ter
é tanto prazer
afogar nesse toque
ela sempre tão formosa
enfeitada de dor e madrugada
me encanta gostosa
dá a profundidade de seus beijos sinceros
me enche de arte antes do sol viver
só para me trazer possibilidades
meu bem
pelo amor
me ajude
compreenda
estou saudosa quase louca
encontre minha maravilhosa morte
mande o meu recado
”amor te
antes de tudo
a morte
ante qualquer sim
eu juro amor
te ser ei
morrer
entrega íntegra
ser real nosso jardim de fantasia
uma delirante eternidade
morta”
por tudo isso meu bem
entende?
não existe culpa
digo
nem você
nem alguém
nem um desdém
vale ou valerá essa troca

Vivi Arenzano

Especialmente para Arte de Jeannette Priolli

*

XXII

Em imensidão rumo as minhas ideias
Flano, neste instante, ao prumo dos ventos;
Sou vertigem fixada no horizonte lunar
E sigo a moldura da hipnótica alva celeste,
Busco mirar meus eloquentes pensamentos

Fito talvez uma desértica miragem
E ao meu redor tudo irá sublimar?
Ou vago como antítese de minha tese;
Mas não devo hesitar ao hipnótico luar
E entrego-me ao canto do encanto

Meus sentidos transmudam-se em bússola
Sou verbo em sintonia com a paisagem,
Torno-me sublime metáfora de mim
Sou adjetivo metamorfoseado de meu ser

Aragem noturna é meu sortilégio
Ao qual mergulho com certo delírio,
Vou seguindo a poética magia em lume,
Absorvo os enigmas ao meu redor

Inspiro realidade e profiro sonhos;
A lua repousando sobre planícies
É hiperbólica hipnose ao meu encontro,
Deixo-me levar pela sedutora luz

Meu eu agora aflora inflorescências,
Onde outrora havia inquietante aridez
Floresce significâncias para minha essência;
Agora sei de meu esplendoroso destino:
Passo a ser o reflexo de meu próprio luar!

Tânio Sad Peres Corrêa Neves

Especialmente para Arte de Jeannette Priolli

*

Exposição  A Paulo Branquinho Galeria de Arte apresenta em sua inauguração os artistas Gonçalo Ivo, Jeannette Priolli, John Nicholson, Luiz Aquila e Ronaldo do Rego Macedo, que apresentarão trabalhos tendo como tema o abstrato e o geométrico.
A abertura da galeria conta com um evento paralelo na rua inteira, a Ocupação Cultural Morais e Vale.

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