sexta-feira, 28 de abril de 2017
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Futebol, o clássico do barro na cara

Como é bom pegar meu carro e ir em direção ao São Caetano. Passar pelo Palmeirinhas e assistir um jogo da várzea alvoradense na chuva. No caminho desses jogos podemos imaginar os mais diversos cenários que estão por vir, enquanto passamos pelos bairros da cidade. A relação entre torcedor e futebol é a mais sincera que existe. E, se for na chuva e no barro, aí o amor é incondicional. Torcedor gosta de jogador que suja o calção. Reclama daquele que sai com o fardamento limpo do jogo. Parece que não se entregou, não se dedicou ao jogo e ao clube. Futebol no barro realça a humildade do jogador grosso. O craque? A jogada espetacular? Não! Os melhores lances são aqueles carrinhos que deslizam metros pelo gramado, levando lama e chegando até o encontro das pernas do adversário. A torcida pira, grita. Enaltece! E ainda ajuda o árbitro: "Não foi nada Bailarino, manda jogar!" O árbitro, um dos mais conhecidos e tradicionais da cidade, Bailarino como é conhecido, deixa o jogo rolar: "Vai jogar! Levanta e vai correr!" Clássicos entre Agriter e Cantão, o torcedor chega ao êxtase na beira dos gramados alvoradenses. Do outro lado da tela se ouve as instruções do torcedor. Sureco, torcedor símbolo do Agriter inflama a torcida e os jogadores: "Só na bola, Nego Márcio. Pega ele!" Barro e chuva são sinônimos de copa do mundo nos campos de várzea, nos torneios dos bairros e nas brincadeiras de final de tarde da cidade. Quanto mais sujo o fardamento fica, melhor o jogo está. "Aquele ali nem sujou o fardamento". Frases assim dão exatamente o parâmetro do que o torcedor quer de um jogo na chuva. Dias como os de hoje, quando não para de chover, me remetem a essa nostalgia de um tempo em que os campos de Alvorada eram lotados de torcedores, mas também cheios de água e barro. Que saudade!