Com 44 anos de sala de aula, professora de Português e Redação acredita que cumpriu sua vocação | Foto: Samuel Siveira / OA

Aos 44 anos de sala de aula, uma das professoras mais queridas do Castro Alves encerrou sua carreira e já sente saudades de lecionar. Hoje a professora de Portugês e Redação fica horas em meio aos álbuns de fotografias e às lembranças.

A professora Irene Nunes tem toda a sua trajetória em salas de aula retratada em inú-meros álbuns de fotos. São as imagens de sua carreira que amenizam a saudade dos alunos e colegas e ajudam a espantar a solidão.

Lecionando desde 1968, quando veio de Alegrete para Alvorada, ela afirma que sempre sonhou em ser professora e acredita que, se vocações existem, ela cumpriu a dela. A professora, que deu a primeira aula aos 13 anos de idade para os vizinhos, sempre sonhou em estar à frente de uma sala de aula. “Me senti realizada quando entrei numa sala de aula a primeira vez”, conta.

A realização do sonho de lecionar aconteceu em 1968. Aos 26 anos, ela começou o trabalho na Escola Marechal Cândido Rondon. Em um dos álbuns, ela ainda tem as fotos de cada um dos alunos dessa primeira turma.

Alegretense de nascimento mas alvoradense de coração, a professora passou por várias escolas de Alvorada, mas foi nos 22 anos de Castro Alves que se transformou em uma das professoras mais queridas da escola.

Querida a ponto de ter perdido as contas de quantas turmas de terceiro ano foi paraninfa. Perdeu as contas, mas não as fotos. Ela coleciona com carinho fotos de todos os momentos que marcaram sua carreira. Foram inúmeras formaturas e homenagens e até casamentos de jovens que se conheceram na sala de aula e que selaram a união com a presença da mestre querida.

A professora, aposentada desde o ano passado, brinca que foi “expulsa” do colégio quando completou 70 anos, mas a vontade era de continuar lecionando. Sem filhos, ela afirma que os alunos e os colegas de trabalho sempre representaram sua família. “Sinto muita falta da escola e dos colegas,” E segundo ela são as amizades que levou das escolas que a auxiliam nos momentos de dificuldade.

“A escola era tudo pra mim”, se emociona a professora ao lembrar de tantos momentos que viveu junto dos alunos. Grande parte foi de momentos alegres, como a carta de um pai enviada do colégio quando o filho foi aprovado no vestibular para Direito.

Na carta, que ela guarda com zelo, ele atribui à dedicação e ao amor da professora de Redação o sucesso do rapaz no exame.

Irene, que se dedicou às aulas para alunos das séries finais do ensino médio, orgulha-se em dizer que participou da formação de advogados, enfermeiros e fala com alegria dos alunos que se tornaram colegas quando ingressaram na escola. Para ela, o professor precisa ter dedicação e paixão pela profissão.
Ela foi o tipo de professora mãezona e ainda recebe visitas dos alunos e antigos colegas, mas ainda não teve coragem, apesar dos convites, de visitar o Castro. “Sinto como se todos aqueles anos de lembranças fossem voltar, preciso de mais um tempo pra me acostumar com a aposentadoria”, relata.

Para a escola, alunos e professores jovens, ela deixa um recado: “Se os jovens tiverem o apoio da escola eles serão salvos, mas os mestres precisam de apoio também. Precisam de incentivo e de cursos que possam qualificar o ensino. Mas, o mais importante: o professor precisa amar o que faz.”

Fonte: Amanda Fernandes / O Alvoradense