Com ensaios semanais as meninas se preparam para as apresentações e competições pelo Estado | Foto: Amanda Fernandes / OA

Chegar ao Ginásio Tancredo Neves e ouvir sons característicos dos jogos de futebol é comum, mas entrar no ginásio e ouvir melodias suaves de Tchaikovsky ainda pode causar espanto aos ouvidos desavisados. Mas aos poucos os curiosos vão ficando para assistir ao pequeno espetáculo proporcionado pelas alunas do projeto Ballet CultuArte.

O projeto, iniciado em 2005, passou a ter no balé clássico o seu carro-chefe em 2007, e desde então capacita pequenas grandes bailarinas com os padrões do Royal Ballet de Londres, um dos mais conceituados do mundo. Esta mudança ocorreu graças à chegada da nova diretora, Jacqueline Navarro, que o implantou. Hoje, são 285 meninas que aprendem mais do que os princípios da dança.

As 285 meninas, sendo duas deficientes visuais e um menino, levam a bandeira de Alvorada para competições por todo Estado, e graças ao apoio da Secretaria Municipal de Cultura não pagam nada pelas aulas. O grupo já trouxe para a cidade inúmeros prêmios e coleciona participações em grandes festivais de dança pelo Estado. Além de se preparar durante o ano todo para o grande espetáculo de fim de ano. A apresentação de 2012 já tem data e tema. Com coreografias que representam as diferentes culturas do mundo, as meninas esperam em setembro superar os mais de mil espectadores do espetáculo do ano passado.

 Sou feliz, sou bailarina, sou Alvorada

Esta é a frase que as meninas carregam no peito quando saem pelo interior do Estado para as competições de dança. Dar a elas motivos para se orgulharem da cidade onde crescem é também uma das tarefas dos professores. A equipe, coordenada por Jacqueline, conta também com mais dois professores e com um grupo de mães que auxilia a companhia na confecção dos figurinos e adereços para as apresentações.

Incentivar a autoestima e a cidadania das meninas é fundamental no trabalho. “Alvorada ainda é mal vista em algumas cidades, cabe a nós tirar essa má impressão que as pessoas têm”, afirma Jacqueline. Segundo ela, existe todo um trabalho pedagógico para melhorar o desenvolvimento das alunas. Em contato com o projeto elas frequentam espetáculos de dança, museus e aprendem mais sobre a arte e sua importância. “Uma bailarina precisa ter conhecimento”, destaca a professora. O projeto se tornou uma ferramenta para que alunas e também os pais pudessem ter contato com outros mundos, que pareciam distantes de suas realidades.

Padrinhos mais que especiais

Nos anos de 2010 e 2011, as crianças do projeto tiveram a oportunidade de alguns encontros que vão ficar para a história do Ballet CultuArte. Elas foram convidadas a assistir a apresentações que marcaram suas vidas: uma delas, de um dos maiores bailarinos do mundo, Mikhail Baryshnikov, abriu as portas de um de seus espetáculos no Teatro do Sesi, em Porto Alegre, e recebeu as meninas com todo o carinho.

As outras foram das bailarinas Ana Botafogo e Cacilia Kerche, duas das melhores bailarinas do país, que esbanjaram carinho e demonstraram interesse em dividir o palco com as meninas do CultuArte.

Fonte: Amanda Fernandes / O Alvoradense