Um dos maiores problemas enfrentados pelas famílias em época de isolamento social, além da crise econômica, é a educação dos filhos.

As aulas foram suspensas e as crianças e adolescentes deveriam estar estudando de casa. Os mais velhos, quando possuem recursos tecnológicos, conseguem acompanhar as aulas sozinhos, mas os pequenos necessitam do auxílio dos pais, que nem sempre estão preparados para isso.

Mateus é um menino tranquilo, de oito anos, que ia à escola, jogava futebol e brincava na rua. Agora só quer saber de videogame, celular… “Está sendo bem difícil pra ele”, diz a mãe, Cintia Maria Rosa Costa, 36 anos, moradora do bairro Bela Vista.

Ele está no 3º ano e estuda na Escola João Carlos Vilagran e passa o dia em casa com a irmã de 16 anos, Giovanna, ou no escritório da oficina do pai Gerson, onde Cintia trabalha.  

“Pra mim esta experiência está sendo positiva. Fico mais perto dele, me obrigo a estar atenta e ajudar nas atividades, que são poucas”, avalia ela, que tem a vantagem de fazer o próprio horário de trabalho.

Já a filha Giovanna, estudante do 2º ano do Ensino Médio no Colégio Estadual Antônio de Castro Alves, está um pouco mais ocupada com atividades escolares.

A cada semana os professores passam conteúdos, via WhatsApp, para um aluno que repassa para o restante da turma. Conforme o relato de Giovanna, a maioria dos trabalhos eram de pesquisa e há também vídeos do Youtube, que explicam algumas matérias.

A avaliação das atividades deve acontecer no retorno às aulas, conforme informaram os professores.  “Eu não acho que esteja aprendendo algo, as atividades são só para não ficar parada mesmo. Até porque fica ruim de tirar dúvidas, só indo atrás de vídeos das aulas. Estamos nos virando como podemos, e com o que podemos”, completa Giovanna.

Mudança total de rotina

Fernanda Siqueira Dias, 38 anos, é mãe de Ágatha, 8 anos e Luan, 6 . Os dois estão no 2º e 1º ano, respectivamente, e tiveram diferentes experiências neste ano escolar.

Iniciaram matriculados na Escola Adventista e depois transferidos para a Escola Municipal Antonio de Godoy. Fernanda explica que a crise econômica atingiu também a pequena empresa da família, a Ron Car Suspensões, e foram necessários cortes no orçamento.

O que mais chamou a atenção de Fernanda foi a mudança na rotina de estudos em casa, que agradou as crianças.

Quando na escola particular, os contatos eram diários, no horário das aulas, iniciando as 7h15. O aplicativo utilizado era o Telegram e o ritmo era intenso. Tudo deveria ser registrado e depois publicado em outro aplicativo, para controle da escola.

Para acompanhar o ritmo, e conseguir auxiliar os filhos, Fernanda e o marido Luciano conseguiram um notebook emprestado, para que cada criança tivesse o seu ambiente escolar. “No celular é difícil para uma criança acompanhar aula durante todo um período. Além disso, eram muitos os vídeos e textos para leitura”, relembra e ressalta que como mãe acha complicado orientar, não tem didática e nem técnica para auxiliar duas crianças pequenas, que precisam de atenção.

Quando mudou de escola, Fernanda lembra que foi muito bem acolhida e chamou atenção a preocupação das professoras do Godoy com as condições das crianças acompanharem as aulas de casa. Contudo, a diferença foi enorme.

Hoje as atividades são poucas, passadas aos pais por rede social uma vez por semana. “Entendo que nem todos tem acesso à internet ou a uma impressora, por isso a carga de atividades é muito menor”, avalia e ressalta que muitas famílias que realmente não tem acesso à tecnologia, recebem o material impresso.

Ela conta que, no início, as crianças gostaram da novidade, mas que agora pedem mais atividades durante a semana.

Para ela também ficou bem mais fácil, pois antes tinha que acompanhar as duas turmas ao mesmo tempo. Eles perdiam o foco enquanto esperavam pela companhia da mãe, dividida, principalmente o mais novo, “que é mais disperso”.

Fernanda trabalha com o marido, no administrativo da oficina, e tem feito a maioria das atividades em casa. Mas conta de uma amiga, que não parou teve dispensa do trabalho, que precisou mandar o filho morar com os pais, na praia, porque não tinha quem pudesse o acompanhar na nova rotina.

“Meus filhos são crianças muito tranquilas, que gostam de estar em casa, são bem caseiros, por isso não tenho dificuldade de manter em isolamento”, quando precisa sair, ela reveza o cuidado com o marido.