Foto: Lisiane Ulbrich / Divulgação / OA

A presença do novo coronavírus em esgotos de Porto Alegre, região metropolitana e Vale dos Sinos, foram confirmados pelo 3º boletim de monitoramento ambiental do SARS-CoV-2 (vírus que transmite a V=Covid-19) divulgado pelo Centro Estadual de Vigilância Ambiental (Cevs).

Testes laboratoriais realizados em estações de tratamento de esgoto doméstico e em águas superficiais comprovou a presença do vírus em 100% das amostras coletadas na capital, Canoas e Gravataí. A amostragem também revelou que a maior carga viral está concentrada nas águas de arroios da Região Metropolitana. Em Alvorada, os índices chegaram a 50%, e em Cachoeirinha, 66,7%.

Detecção do vírus

Nas etapas anteriores da pesquisa, estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro, não detectou a presença de vírus potencialmente infecciosos nas amostras. Isso significa ser improvável que as pessoas se infectem com o coronavírus em contato com as águas de esgotamento ou arroios.

Os estudos servem para acompanhar o desenvolvimento da doença, confirmando que Porto Alegre, que apresenta aumento gradativo no percentual de amostras positivas, saindo de 12,5% na primeira etapa para 100% na atual, segue em alerta de contaminação.

Desenvolvido desde maio pela Feevale, em parceria com o Centro Estadual de Vigilância em Saúde do Rio Grande do Sul (CEVS) e outras instituições como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e a Fiocruz, o estudo tem se mostrado eficaz na detecção do vírus e análise dos locais com maior concentração viral.

Nesta terceira etapa, foram analisadas 116 amostras de 22 locais em Alvorada, Cachoeirinha, Canoas, Esteio, Gravataí, Novo Hamburgo, Porto Alegre, São Leopoldo, Sapucaia do Sul e Viamão.

Nos arroios pesquisados, a carga viral encontrada chegou a superar a das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), o que comprova uma quantidade significativa de esgoto que chega nessas águas sem tratamento.

Contudo, algumas ETEs fazem parte de sistemas integrados de esgotamento sanitário, atendendo a mais de um município, o que dificulta discriminar a carga viral específica de um município, como ocorre na ETE Freeway, localizada em Cachoeirinha, mas que também atende Alvorada, Gravataí e Viamão.