Foto da semana passada mostra o estado de poluição do Arrio Feijó | Foto: Samuel Silveira / OA

Uma administração que vise a se destacar pelos serviços oferecidos à população tem alguns desafios que não pode deixar de lado. Garantias de saúde, saneamento e qualidade de vida de seus moradores tem que estar entre as preocupações de qualquer administração para garantir o bem-estar da população.

É quase inadmissível pensar que ainda existem locais onde o saneamento básico é precário ou mesmo inexistente. Falta de tratamento de esgoto, não-recolhimento de lixo e acúmulo de sujeira podem ser observados em vários bairros, o que põe em risco o meio ambiente e a população.

Hoje, Alvorada tem apenas 20% de sua totalidade de esgoto tra-tado. Os outros 80% são despejados na natureza de forma bruta. O dado passado pelo superintendente regional da Corsan Alexan-dre Andriola da Silva só não é mais alarmante porque a empresa garantiu que obras para a ampliação da rede já estão em processo inicial e devem estar concluídas até o final de 2014, mas ainda assim a situação é preocupante.

De acordo com Andriola, a Corsan não pode ampliar as redes sem a existência de um plano municipal de saneamento. O de Alvorada ainda não foi concluído, e essa é uma das razões para que alguns pontos do saneamento da cidade estejam defasados.

Andriola destaca a importância da posição da administração pública para que a população se ligue às redes de tratamento de esgoto. “O que acontece hoje é que o esgoto é liberado junto com a rede pluvial, e é esse o proble-ma. É preciso conscientização dos impactos que esse tipo de ação gera e a mudança desse hábito. A Corsan não tem como legislar essas áreas irregu-lares, mas a Prefeitura tem”, destacou.

A inexistência de redes coletoras de esgoto é um ponto que, de acordo com Andriola, está em caminho de ser resolvido, mas onde existem redes coletoras ainda é comum que as pessoas não se conectem a essa rede.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes) – Seção RS afirma que parte das pessoas que não se conectam à rede coletora de esgoto é por falta de recursos. “A conexão gera custos que muitos não têm condições ou não estão dispostos a pagar. Caberia à Prefeitura legislar o serviço. Não mediante obrigatoriedade, mas levando à conscientização da população”, reforça.

O plano de Alvorada está pela metade. Segun-do o vice-presidente da Abes, ainda é preciso profissionalizar os serviços para que a população tenha o me-lhor atendimento.

Quando a primeira fase das obras da Corsan forem encerradas, o que deve acontecer no final de 2014, Alvorada chega perto da universalização do atendimento em saneamento básico, o que representa cerca de 67%, mas, sem planejamento e projeção do crescimento da cidade, o trabalho poderá ser perdido.

Os recursos do PAC I beneficiariam Alvorada com a implantação do sistema de esgotamento sanitário (SES), uma estação de tratamento de esgoto (ETE) e quatro estações de bombeamento de esgoto (EBEs). A meta é a despoluição dos arroios Feijó e Águas Belas em termos de esgotamento doméstico.

São quatro os eixos do saneamento básico e, de acordo com os dois especialistas procurados por esta reportagem, Alvorada ainda tem grande desafios quanto ao tema para as administrações e gerações futuras, mas, com conhe-cimento e especialização, caminha para um futuro promissor.

Fonte: Amanda Fernandes / O Alvoradense