Reprise divulgou vídeo em suas redes sociais onde apresenta sua defesa | Foto: Reprodução / OA

Um dia após a divulgação, por parte do Ministério Público, da condenação de Clóvis Reprise a três anos e seis meses de reclusão e sete anos e dois meses de detenção, o pré-candidato à Prefeitura de Alvorada pelo PSD anunciou a retirada de seu nome da disputa.

Em um vídeo publicado em sua conta no Facebook, Reprise atribui à condenação a pressão que grupos políticos estariam realizando para evitar que ele estivesse na disputa pela prefeitura em outubro. “Saiu essa condenação por eu estar ajudando o povo pobre e humilde da nossa cidade”, justificou.

Em mais de 20 minutos de vídeo, o ex-vereador explicou o processo de implementação do loteamento que, segundo ele, está sendo construído com a ajuda dos próprios associados em um regime associativista. “O que eu fiz até hoje no nosso município está dentro da Lei Federal do associativismo, mas não é o entendimento do MP e da prefeitura municipal”, lamentou, ao acrescentar que nenhum dos locais que já receberam projetos seus semelhantes foram invadidos: “todos estão registrados. Nós compramos a terra, pagamos por ela. Não invadimos”.

Reprise também disse que ele e sua família estariam sofrendo ameaças. “Estão me proibindo de concorrer a prefeito desse município. Estão ameaçando muito minha família e meus filhos. Não preciso disso, não precisamos da política para fazer as coisas acontecerem nesse município”, assegurou, ao anunciar a retirada de seu nome do pleito. “Vou continuar trabalhando pela minha comunidade, esteja onde eu estiver”.

Ele ainda informou que deve apoiar um candidato na disputa e que quem receber seu apoio terá o compromisso de implementar seu plano de governo. “Podem ter certeza: um legado eu vou fazer nessa cidade”, finalizou.

“Favelização”
Reprise também criticou o Ministério Público e o jornal O Alvoradense por supostamente se referirem aos moradores dos loteamentos implementados por ele de “favelados”. “Usam esses termos porque não conhecem esse povo honesto”, disse.

Tanto o jornal quanto o site do MP reproduziram, na verdade, uma fala da promotora de Justiça Rochelle Jelinek, responsável pela acusação contra o ex-vereador, que classificou Reprise como “um dos principais causadores da ‘favelização’ do município de Alvorada”.

Assista ao vídeo divulgado por Reprise abaixo:

Entenda o caso
Clóvis Reprise foi denunciado em novembro de 2015 pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul por seis fatos praticados na implementação de um loteamento na Piratini, batizado de Reprise IV. Na ocasião da denúncia, chegou a ser preso preventivamente. Segundo a acusação, houve divisão do terreno em lotes irregulares e posterior venda, início de obras sem licenças ambientais, poluição de mananciais, corte de árvores nativas, atos que dificultaram o trabalho de fiscalização do Poder Público e omissão de informações aos compradores no processo de venda dos lotes.

Durante a investigação foram ouvidas 12 testemunhas, além de Reprise, que teve a prisão preventiva substituída por medidas cautelares no dia 12 de janeiro deste ano. Das seis denúncias, acabou condenado em cinco e absolvido em uma, a de poluição de mananciais, por falta de provas. A sentença, assinada pelo juiz Rouberto Coutinho Borba, foi publicada em 15 de junho.

Ao todo, foi condenado à pena de três anos e seis meses de reclusão e de sete anos dois meses de detenção, além de multa de 100 vezes o valor do salário mínimo à época dos fatos, corrigidos até a data do pagamento. A pena de reclusão deverá ser cumprida em regime inicialmente fechado, e a de detenção em semiaberto. Reprise, contudo, poderá recorrer em liberdade.

Fonte: O Alvoradense