Fernando Pessoa em 1914 | Foto: Divulgação
Fernando Pessoa em 1914 | Foto: Divulgação

Considerado o maior poeta da língua portuguesa, Fernando Antonio Nogueira Pessoa, conhecido apenas como Fernando Pessoa, completaria nesta quinta-feira, 125 anos, se estivesse vivo.

Nascido em Lisboa, Portugal, o poeta fingidor, como se auto-denominava, criou os heterônimos Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, cada um com personalidade e biografia próprias, o que os leva a serem objeto de maior parte dos estudos sobre a obra de Pessoa.

Ele mesmo escreveu sobre isso:

“O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente”

A pesquisadora portuguesa Teresa Rita Lopes, especialista na obra do poeta, lembra que apesar de Fernando Pessoa ter assinado textos literários com mais de 70 nomes, ele próprio afirmou a existência de apenas três heterônimos, personagens que adquiriram independência em relação a seu criador.

“Se vocês virem o estilo do Ricardo Reis, é inconfundível, o do Alberto Caeiro e do Álvaro de Campos também. Só esses três é que têm vida própria, personalidade própria e estilo próprio. E os três são ele melhor. Para Fernando Pessoa, essa androginia espiritual era uma maneira dele atingir a perfeição”.

"Fernando Pessoa em flagrante delitro": dedicatória na fotografia que ofereceu à namorada Ophélia Queiroz em 1929 | Foto: Divulgação / OA
“Fernando Pessoa em flagrante delitro”: dedicatória na fotografia que ofereceu à namorada Ophélia Queiroz em 1929 | Foto: Divulgação / OA

O poeta e crítico brasileiro Frederico Barbosa afirma que Fernando Pessoa viveu mais por meio da sua poesia que na sua própria vida. “Ele tinha uma vida, digamos assim, medíocre no seu exterior, e uma vida interior em que ele construiu seus próprios personagens.

Enfrentando uma certa solidão, ele acabou construindo seus companheiros de geração: o Álvaro de Campos, Ricardo Reis e o mestre de todos Alberto Caeiro”.

O primeiro poema foi escrito para a mãe, aos sete anos de idade. Quando tinha cinco anos o pai, funcionário público e crítico musical do Diário de Notícias, morreu de tuberculose.

Já no ano seguinte, a mãe casou-se pela segunda vez com o cônsul de Portugal em Durban, África do Sul, país onde Fernando Pessoa chegou aos seis anos e viveu até aos 17. Nesse período ele recebeu educação em língua inglesa e, por isso, seus primeiros textos foram escritos nesse idioma.

Estátua de Fernando Pessoa da autoria de Lagoa Henriques, no café A Brasileira, no Chiado, Lisboa | Foto: Divulgação / OA
Estátua de Fernando Pessoa da autoria de Lagoa Henriques, no café A Brasileira, no Chiado, Lisboa | Foto: Divulgação / OA

O sobrinho de Fernando Pessoa, Luís Miguel Rosa Dias, de 82 anos, conta que a presença do tio na África do Sul é evidente. “Em Durban tem o colégio onde ele estudou, tem um museu só de Fernando Pessoa. Em Pretória, uma das praças principais tem um busto de Fernando Pessoa. E é tudo Fernando Pessoa por todo o lado”.

O poeta teve influência de autores ingleses, como William Shakespeare, Edgar Allan Poe e Lord Byron. Aos 17 anos, Fernando Pessoa voltou definitivamente sozinho para Lisboa e passou a se interessar pela literatura portuguesa.

Tornou-se tradutor de cartas comerciais, que eram sua fonte de renda. Nas horas vagas, sentava-se em uma cafeteria para escrever poemas.

“Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias”.

Os únicos livros do poeta publicados em vida são as coletâneas de poemas em inglês “Antinous”, “35 Sonnets” e “English Poems I, II e III”, além do livro “Mensagem”, em língua portuguesa.

O poeta, que iniciou a vida escrevendo ainda criança, morreu escrevendo, aos 47 anos, em 1935, vítima de cirrose hepática.

A última frase no leito de morte foi escrita em inglês: “I know not what tomorrow will bring” (“Eu não sei o que o amanhã trará”). O poeta, talvez já prevendo a importância do seu legado para o mundo, já anunciava em seu Livro do Desassossego: “Um dia, lá para o fim do futuro, alguém escreverá sobre mim um poema, e talvez só então eu comece a reinar no meu Reino.”

Fernando Pessoa nasceu neste edifício, no bairro do Chiado, frente à ópera de Lisboa, a 13 de junho de 1888 | Foto: Divulgação / OA
Fernando Pessoa nasceu neste edifício, no bairro do Chiado, frente à ópera de Lisboa, a 13 de junho de 1888 | Foto: Divulgação / OA

Fonte: Agência Brasil