Foto: Jonathas Costa / Arquivo / OA

A chegada do novo coronavírus agravou, ainda mais, a crise no transporte de passageiros na região metropolitana de Porto Alegre. Ainda antes da chegada da Covid-19, o sistema intermunicipal vinha enfrentando queda no número de passageiros ao longo dos anos.  Com decreto que impôs restrições na indústria e comércio, e o consequente isolamento social, a situação se agravou.

Um estudo inédito do Comitê de Dados da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag) reuniu uma equipe de especialistas e fez um alerta para o risco de interrupções de serviço e demissões em massa, desestruturando equipes de trabalho e dificultando retomada pós-pandemia. Segundo o grupo de trabalho que avaliou a situação do transporte intermunicipal, o quadro é grave, principalmente, nos Sistemas de Longo Curso e na região metropolitana de Porto Alegre.

Em Alvorada, a queda no número de passageiros transportados pela Soul chegou perto dos 80% desde março, o que levou a empresa a acertar sua tabela horária conforme a demanda de clientes e ajustar o quadro funcional em cumprimento aos decreto de redução de equipe para evitar aglomerações no ambiente de trabalho e afastamento dos grupos de risco.

“Mesmo diante de todas as dificuldades que estamos enfrentando, diariamente são analisadas as demandas e as solicitações que chegam por meio dos canais de comunicação da empresa para a realização de ajustes quando necessário, garantindo a manutenção do serviço com o menor impacto possível”, garante comunicado da empresa.

VAL

A situação da VAL, que atende o transporte municipal, é ainda pior. Desde 2016 a empresa enfrenta queda no número de passageiros, e afirma haver desequilíbrio entre o valor da passagem e os custos operacionais.

Entre os motivos da pouca circulação de pessoas, aponta as gratuidades, isenções, migração para outros meios de transporte aplicativos como Uber, POP e outros, desemprego e agora o distanciamento social. “O volume de passageiros desde a última licitação não se confirmou, o que levou a empresa a enfrentar sérios problemas financeiros e tomar medidas internas para conter gastos”, avalia a empresa

A redução de circulação provocada pela pandemia chegou a 79%, o que levou a direção da VAL a reduzir o número de linhas. Com o objetivo de evitar o colapso do transporte municipal, em acordo com a Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Segurança e Mobilidade Urbana / SMSMU, implantou uma operação emergencial, “visando atender as necessidades essenciais de deslocamentos dos cidadãos de Alvorada”, pondera. As linhas afetadas foram as C101, C102, C104, C106, C205, C206 e 107.

“Esclarecemos que a Secretaria Municipal de Segurança e Mobilidade Urbana e Prefeitura de Alvorada estão cientes da situação e todas as medidas tomadas foram anteriormente enviadas e analisadas tecnicamente pelos órgãos gestores”, explica nota da empresa.