Elas cada vez mais provam não ser o sexo frágil. Segundo estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) na semana passada, as mulheres trabalham até 16 horas a mais que os homens em tarefas domésticas, mesmo estando ambos empregados.

Por semana, elas passam 26,6 horas nos afa-zeres da casa, enquanto eles passam 10,5 horas.

Milene da Rosa sabe bem como é isso. Ela trabalha em média 10 horas por dia em uma creche no bairro Maringá. Seu marido, Eliézer Nunes, que é motoboy, tem a mesma carga horária que ela, no entanto, quando chegam em casa é Milene quem assume as tarefas domésticas.

Em 2009, 90% das mulheres brasileiras com 16 anos ou mais de idade afirmaram realizar afazeres domésticos, comparados a 50% dos homens. Desde 1995, podem ser percebidas suaves oscilações tanto entre os homens quanto entre as mulheres.

No entanto, o estudo aponta que há uma tendência de estabilidade na proporção de pessoas que realizam afazeres domésticos, sendo que as mulheres mantêm-se em torno dos 90%, e os homens oscilam entre 46 e 50%.
O estudo mostra ainda que, quanto mais filhos há na família, mais horas as mulheres trabalham em casa e menos horas os homens. As mulheres sem filhos gastam cerca de 26 horas semanais com afazeres domésticos. O tempo dedicado às atividades aumenta com o número de filhos, chegando a quase 34 horas entre as que têm cinco ou mais filhos. Os homens com cinco filhos trabalham 1,4 horas a menos (10,3 horas por semana) que os que não têm filhos (11,7 horas).

Para o Ipea, tais dados sugerem que, mais ainda que o cuidado com a casa, o dos filhos é praticado pela mulher.

A pesquisa parece ir ao encontro da realidade na casa de Milene e Eliézer, que possui três crianças. Eduardo tem 11 anos, Yohan 6 e Enzo 2.
“É bem isso mesmo. Para se ter uma ideia, enquanto estou aqui dobrando roupas, ele está deitado vendo o jogo”, conta a mãe.

Homens do Sul ajudam mais

Apesar de a pesquisa apresentar índices desiguais entre os gêneros, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul os homens que afirmam realizar afazeres domés-ticos é maior do que no restante do País. “Os diferenciais de raça e de região não são representativos, com a exceção do percentual de homens da Região Sul”, diz o estudo.

O índice de homens que ajudam no trabalho doméstico chega a 61% por aqui, valor considera-velmente superior à média nacional encontrada para os homens, que é de 50%.

Esse quesito, no entanto, parece não ser tão real na casa do motoboy e da cuidadora de crianças.

“Ele ajuda no que pode, é verdade, mas é óbvio que não chega nem na metade do que faço diariamente”, conta Milene, já cobrando o marido. “Quando ele cuida das crianças para eu fazer outras coisas, já conto como ajuda, mas ainda assim eu trabalho bem mais”, detalha.

Mas a realidade começa a mudar no lar do casal. “Pelo menos uma vez por semana ele está fazendo a janta”, revela Milene.

 

Fonte: Jonathas Costa / O Alvoradense