Títulos conquistados por elas servem de estímulo para clube não cair no esquecimento | Foto: Arquivo Pessoal / OA

Não é de hoje que as mulheres batalham para serem reconhecidas por seus esforços. O salário é mais baixo, a confiança é menor, a satisfação do próximo é quase zero. Mesmo assim, o públi-co cor-de-rosa ainda busca igualdade e apoio em suas caminhadas. Em pleno século XXI, o chamado “sexo frágil” sofre certo preconceito quando o assunto é esporte. “Meninas não podem jogar futebol. Mulheres não sabem debater sobre um jogo. Garotas só gostam das pernas de jogadores”, e assim seguem os comentários de pessoas que ainda pensam pequeno diante da gigantesca massa de gurias que fazem do exercício a sua principal tarefa.

Dia 8 deste mês foi o Dia Internacional da Mulher, e as lutadoras do ramo seguem sendo inspiração para muitas de nossas competidoras. Atletas como Marta, Maurren Maggi, Hortência, Daiane dos Santos e mais uma gangue de outros exemplos fazem a frente para mais times de salto se infiltrarem nesta linha. Não seria diferente em Alvorada, onde um grupo de meninas que jogam futsal, futsete e futebol estão mostrando o seu talento, suas reve-lações, e mesmo assim ainda perdem o tempo com as complicações que a cidade empunha, como falta de parcerias e sedes de treinamento em precariedade.

Quem está sentindo isso na pele são as jogadoras do Esporte Clube Benfica, composto por 10 meninas entre 16 e 35 anos que fazem de tudo para ter seu lugar ao sol. Por mais que o esforço seja grande, o impasse de todos os dias de procurarem sedes para o seu treinamento e muitas vezes darem de cara na porta sacrifica o desejo de ir para a frente. Jocelma Queiroz Borges, alvoradense convicta, diz estar farta de tentar levantar o seu clube, mas se decepciona mais à frente com a falta de comprometimento dos governantes. “Chegamos a ser convidadas para disputar o Municipal de Salão, mas tínhamos que pagar R$ 10 por atleta para participarmos”, ressalta Jocelma, que diz que muitas vezes tira dinheiro do bolso para pagar uniformes e condições melhores para suas colegas.

Esporte Clube Banfica é composto por meninas entre 16 e 35 anos | Foto: Arquivo Pessoal / OA

Alvorada hoje conta apenas com um local para treinamento gratuito onde as jogadoras podem treinar futsete. O ginásio da cidade é mais usado para feiras e eventos diversos do que práticas esportivas. Os demais locais para fazer exercício exigem pagamento pelas horas usadas. Tudo isso sem patrocínio acaba pesando na carteira das mulheres esportistas que ainda se esforçam para ganhar mais títulos de expressão para finalmente formarem o seu uniforme. Mesmo sem investidores de peso para montar seu fardamento, as gurias conseguiram mandar duas de suas atletas para o ponto máximo da carreira de qualquer um: chegar à Seleção Brasileira. Kethleen Susan Estraich e Caroline dos Santos Gomes passaram por grandes nomes de clubes gaúchos, como o conhecido Sport Club Internacional, e depois seguiram para a “Canari-nho”. Exemplos claros de que, com um pouco mais de auxílio do governo municipal, o nome do Benfica Feminino iria ajudar ainda mais a cidade de Alvorada a ser reconhecida no resto do país pelos seus atletas.

Ainda há muito caminho pela frente, mas a vontade de fazer o Benfica crescer está estampado no rosto das moças. As medalhas conquistadas por elas passam a ser o impulso para o clube, que tem sete anos, não cair no esquecimento. “Dá muita vontade de desistir. Quando vemos que não existe possibilidade de patrocínio, de retorno, e que todo o trabalho foi em vão, fica muito difícil continuar lutando”, enfatiza a mentora Jocelma, que todos os dias batalha por fazer do hobby de muita gente, o seu ganha pão. Falta esperança, falta um empurrão. Só o que não falta é vontade e sonho de fazer o elo Alvorada e Benfica levantar mais troféus no mundo dos esportes.

 

Fonte: Laura Toscani / O Alvoradense