Evento nessa sexta marca o Dia do Quadrinho Nacional | Arte: De Lima / Especial OA

O Dia do Quadrinho Nacional, comemorado em 30 de janeiro, não passará em branco em Alvorada. Pela primeira vez a cidade terá um evento para marcar a data.

O encontro informal, marcado para ocorrer a partir das 21h no Boteco do Neco (Av. Maringá, 130), deve reunir colecionadores, desenhistas, ilustradores e pessoas que trabalham com quadrinhos em Alvorada. Além do bate papo, haverá exposição de trabalhos e o lançamento de duas revistas. O encerramento ficará por conta da banda local Hit Cover.

O projeto foi idealizado pelo professor Denilson Reis em parceria com a produtora cultural Sabrina Sebaje. A dupla decidiu colocar Alvorada no circuito nacional comemorativo à data. “A ideia é aproveitar o espaço para apresentar as pessoas a arte dos quadrinhos”, explica Denilson.

Segundo ele, nesse dia os convidados e frequentadores da casa terão contato com a arte através de exposições de desenhos, ilustrações, revistas, gibis e fanzines (uma publicação alternativa que pode abordar temas políticos, sociais, literários, histórias em quadrinho, poesias, entre outros).

Também será uma oportunidade para esclarecer as dúvidas das pessoas em relação aos trabalhos expostos. “Se alguém quiser saber como fazer, como e onde imprimir, se a cor é feita no computador ou em aquarela, os artistas estarão ali para orientá-los”, sugere Denilson.

Duas revistas serão lançadas no evento dessa sexta-feira. ‘Peryc, o mercenário’ e o fanzine ‘Tchê’, ambas de autoria do professor.

Arte também para o público adulto
Denilson trabalha com quadrinhos há mais de 30 anos, mas não desenha, o que não é muito comum no Brasil em se tratando de quadrinhos. “Normalmente, autores como Maurício de Souza, por exemplo, criam, desenham, colorem, fazem o texto, enfim, montam tudo”, explica. Não é o caso do professor, que atua como roteirista e terceiriza o desenho de suas criações.

Desde cedo Denilson considerou seus traços ruins, por isso se dedicou a fazer apenas o roteiro de suas histórias. “Explico ao desenhista como deve ser o quadrinho, se o personagem tem olhos claros, é alto, magro, enfim, faço o roteiro completo da história, dividindo em quadrinhos, e entrego ao desenhista”.

Ele ressalta que esse procedimento é mais comum nos Estados Unidos, por exemplo, onde o processo de produção de revistas de quadrinhos, especialmente de super heróis, é comum ser feito em separado.

É justamente dos Estados Unidos que vem a contribuição para que o grande público passasse a se interessar pela arte, avalia o roteirista. “A indústria cinematográfica já transformou esses super heróis americanos dos quadrinhos em grandes produções, o que aumentou ainda mais o interesse das pessoas pela arte. Quadrinhos não é apenas coisa de criança e adolescente, adulto também lê. Acho que a sociedade como um todo deve estar atenta a isso.”

Em 2012, o professor alvoradense recebeu o prêmio de melhor Fanzine Brasileiro, arte que mantém como hobby, sem fins lucrativos.

O dia no Brasil
Desde 1984 a data de 30 de janeiro foi instituída pela Associação dos Quadrinhistas e Cartunistas do Estado de São Paulo (AQC-ESP) para se celebrar o Dia do Quadrinho Nacional em homenagem à data da primeira publicação de ‘As Aventuras de Nhô Quim ou Impressões de Uma Viagem à Corte’ em 1869 (abaixo).

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A produção nacional passou por altos e baixos em seus mais diversos gêneros. Hoje, vive um momento de explosão criativa, com obras sendo publicadas tanto por editoras quanto de maneira independente e atraindo um público diversificado.

Fonte: Josélia Sales / O Alvoradense