Cláudia Dalpiás e suas filhas | Foto: Arquivo Pessoal / OA

Mesmo que a cultura, muitas vezes, pareça ser uma temática pouco cultivada no município, há quem nasceu e cresceu na cidade que hoje completa 50 anos e teve sua formação influenciada pelo teatro e a música.

Cláudia Dalpiás, hoje gestora cultural e arte educadora, é alvoradense, filha da professora Noélia Carmen Dalpiás Oliveira e do torneiro mecânico Francisco Ritter de Oliveira, já falecido. O casal, natural de Santo Antônio da Patrulha, chegou no Passo do Feijó há 52 anos e viu Alvorada surgir. Por 17 anos Noélia deu aulas na escola Padre Leo Seibel, onde Cláudia estudou.

Da infância, ela lembra das peças de teatro e apresentações musicais que a mãe organizava na escola, embaixo de uma lona de caminhão erguida pelo pai, e das projeções de cinema que Francisco promovia no salão da Sociedade União. “Com cinco ou seis anos eu fazia teatro de fantoches para os meus colegas de escola”, relembra.

Para cursar a 7ª e 8ª séries, ela se transferiu para a Escola Castro Alves, onde passou a participar de um grupo de teatro, assim como também no Grupo de Jovens da Igreja São José Operário, onde preparou uma peça e por seis meses as apresentações tiveram até bilheteria.

A música apareceu durante o curso de magistério, na Escola São Francisco, em Porto Alegre, onde um padre e professor ministrava aulas de música. E foi essa nova descoberta que a levou, aos 16 anos, para o Coral da Ospa, onde permaneceu por seis anos. Neste período, final dos anos 80, surgia em Alvorada o Coral Municipal, do qual participou, a convite do professor Pedro Farias, desde seu início. Na mesma época se dedicou ao canto lírico, com o apoio do mestre e tenor Decápolis de Andrade.

Coral Municipal
Professora do município desde os 16 anos, cursou Faculdade de Artes Cênicas da UFRGS, mas se frustrou ao tentar aplicar em sala de aula o que aprendeu, pois não havia ambiente apropriado. Com nomeação em Alvorada, no estado e cuidando da Floricultura Dalpiás, saiu do município onde foi novamente nomeada, desta vez a partir de concurso público, em março de 2002. Mas o objetivo de Cláudia era um só, retomar as atividades do Coral Municipal. A princípio formou um grupo vocal, que já em dezembro daquele ano gravou um CD e firmou convênio com o Instituto de Música Arte e Talento (Iemat).

Hoje, como gestora cultural e cedida para a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, ela elabora projetos e os executas, sendo que um dos contemplados recentemente foi o Vozes da Vila, do Banrisul, que foi direcionado ao Coral Municipal de Alvorada. A verba, apesar de pequena em comparação ao edital publicado, é suficiente para pagar um maestro e preparar as vozes para apresentações na cidade e região.

Cláudia também foi membro do Conselho Municipal de Cultura e Patrimônio Histórico e, no momento, está empenhada em estruturar a Associação de Músicos de Alvorada (AMA), que já possui documentação e está organizando membros para iniciar atividades e a busca de verbas para aplicação na cidade, através de projetos estaduais ou federais.

Fonte: Mariú Delanhese / O Alvoradense