O PM João e sua esposa, Concórdia Domingues Pinto, com quem é casado há 56 anos | Foto: Arquivo Pessoal / OA

Quando chegou ao 3º Distrito de Viamão, João Gabriel Pereira Pinto, o soldado PM João, não imaginava que aqui permaneceria por mais de 50 anos. Vindo de Santa Maria, sua cidade Natal, o recém-formado soldado foi incluído na Brigada Militar em 23 de março de 1961, após curso de 11 meses. Em seguida, transferido para o 3º BPM de Porto Alegre (hoje 9º BPM) e destacado para Viamão.

Por sua habilidade como datilógrafo, aprendida em sua passagem de cinco anos pelo Exército, em 1962 chegou ao Passo do Feijó e em seguida passou a atuar no sub destacamento, sendo o 1º escrivão de Alvorada, junto com o sub delegado. “Naquele tempo a Brigada e a Polícia Civil trabalhavam juntas. Éramos uma grande família”, relembra ele, contado que a convivência durou até 67, quando houve a separação e o então Guarda Civil passou a ser Policial Militar (PM). Ele chegou a trabalhar também com o cabo Olinto e o soldado Argemiro Cardoso, os primeiros PMs de Alvorada.

Em 1966 a delegacia ficava na parada 43, perto da plantação de rosas de uma família japonesa. Nos fundos era o destacamento da Brigada Militar. Antes disso, o sub destacamento era em uma casa de madeira, em frente à Sociedade União. O hoje sargento PM João conta que, junto com os colegas soldados Argemiro, Marcilio, Valdemar e Ademar e o cabo André, participou da construção da atual sede do 24º BPM, junto à Praça Central João Goulart. “Nós íamos buscar as pedras para o alicerce de caminhão”, conta.

Casado com Concórdia Domingues Pinto há 56 anos, é ela quem salienta que o marido também foi Cabo Padioleiro no Exército, o que lhe valeu por muitos anos a missão de aplicar injeções nos vizinhos e conhecidos. “Até mesmo o farmacêutico da época pedia para ele aplicar, porque ele não sabia”, confidencia a esposa.

Outra proeza de “seu” João foi ter ensinado datilografia à primeira secretária da Prefeitura de Alvorada. Uma jovem chamada Jurema, filha de uma amiga da família e que precisava do curso para poder ser admitida. “Ela ia para a delegacia por um período e eu a ensinava”, lembra.

O casal chegou à cidade com um menino ainda pequeno e aqui a família cresceu, chegando a seis filhos e muitos netos. A princípio se instalaram na rua Primavera, depois por nove anos na parada 44, até chegarem à casa própria, na rua Albion, onde vivem desde os anos 70.

Muito conhecido no bairro onde mora, João tem hoje 79 anos e confessa que nunca mais pisou em um quartel desde que se aposentou. Antes disso atuou na Operação Golfinho em Torres, no Zoológico de Sapucaia e no trem pagador da linha férrea.

Fonte: O Alvoradense