Padre Libanor é figura marcante no cotidiano cultural, social e religioso da cidade | Foto: Pascom / Divulgação / Arquivo OA

A homenagem que recebeu no dia do aniversário de 50 anos da cidade, dia 17 de setembro, em evento na Assembleia Legislativa do Estado não chegou a ser uma novidade para Libanor Picetti. Nascido em São Roque de Castro, no interior de Garibaldi, em 19 de março de 1950, o padre, que está em Alvorada há 27 anos, já foi homenageado diversas vezes. “Isso mostra que estou trabalhando bem para a comunidade, seguindo os ensinamentos de Jesus”, avalia ele que, apesar de todas as realizações, ainda possui projetos a serem implantados na Paróquia Santo Antônio.

Libanor é o sexto filho de 10 irmãos. Os pais eram agricultores que sempre tiveram fervor à Igreja Católica. Ele conta que a vocação surgiu ainda na infância, mas a falta de condições financeiras da família lhe impediu de ingressar no seminário. Assim, até os 19 anos viveu como todos os jovens que conheceu, com amigos, festas e namoros. Mas, a vontade de ser sacerdote sempre falou mais alto e o levou ao Seminário Apostólico de Caravaggio, em Farroupilha, onde concluiu os estudos e trabalhou para pagar sua estadia. Ainda morando ali, fez faculdade de Filosofia em Caxias do Sul e, por fim, teologia na PUCRS de Porto Alegre.

Enquanto estudou na capital gaúcha, trabalhou com cerca de 600 crianças no Centro de Promoção do Menor e na Creche Menino Jesus, no bairro Restinga, onde morava. Ainda neste período, no início dos anos 80, ingressou no trabalho assistencial, participando da fundação do Albergue João Paulo II.

Foi ordenado padre da Congregação dos Pobres Servos em 15 de janeiro de 1984 e seguiu, aos 29 anos, para São Luis, no Maranhão como missionário. Lá abriu o Albergue Padre João Calábria, que hoje está ao lado de uma grande escola da cidade. Após um ano voltou ao sul e reassumiu no Albergue João Paulo II. Neste período, em 1987, passou a fazer parte da Arquidiocese de Porto Alegre, assumindo a Paróquia São Luis, em Canoas.

Um ano depois surgiu o convite para a Santo Antonio, em Alvorada. “Era um lugar muito pobre, com poucos recursos e, até aquele momento, nenhum padre havia permanecido por aqui”, relembra Libanor. Ele chegou em 14 de fevereiro de 1988 e encontrou uma pequena igreja de madeira e uma casinha, onde passou a morar. Já naquela época haviam as três capelas, Caravaggio, Santa Rita e Santa Teresinha, igualmente pobres como a matriz.

O trabalho foi árduo, mas sempre feito em parceria com as comunidades. E assim, aos poucos, foram melhorando as condições de cada igreja e se intensificando a participação dos fieis.

Hoje, além das igrejas erguidas em material, dos salões de festas e estrutura para os trabalhos de evangelização, há as Pastorais da Criança na matriz e capelas; empréstimo de cadeiras de rodas, com cerca de 70 unidades a disposição dos interessados “e mesmo assim tem fila de espera!”, comenta ele; além de 12 camas hospitalares; muletas, andadores, colchões especiais, cursos de artesanato de 2ª a 5ª feira, em dois turnos e distribuição de cestas básicas às famílias carentes pelos casais do Encontro de Casais com Cristo (ECC) e o Centro Humanístico – que completou 10 anos, com atendimento médico, odontológico, psicológico, jurídico e com farmácia. A Paróquia Santo Antonio é também a sede do Banco de Alimentos de Alvorada, como também o local de encontro do grupo do Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos e Amor Exigente, que trabalha com as famílias dos recuperados.

Mas, a grande inovação vem da experiência pessoal do padre Libanor, que venceu a doença e partiu para formar a Pastoral do Câncer, com atendimento psicológico e grande troca de experiência entre os participantes. Essa é a única unidade dessa Pastoral na Arquidiocese e tem como um dos importantes trabalhos a confecção e empréstimo de perucas para mulheres e meninas. “Quem quiser contribuir com cabelos, podem ser doadas mechas a partir de 15 centímetros, aqui na Paróquia”, informa, ao explicar que para uma peruca são necessários
10 cortes de cabelo.

Quanto ao futuro, ele pretende seguir trabalhando por amor e em nome do Amor do Pai, sem interesses. E tem o desejo de desenvolver um trabalho com idosos, o que no momento não é possível pela falta de espaços. Contudo, o sacerdote já está estudando formas de realocar atividades e liberar uma sala no térreo para, em um futuro próximo, acolher a Melhor Idade.

Fonte: O Alvoradense