Após vencer a batalha contra as drogas, Paulo e o filho trabalham com fotografia de eventos | Foto: Arquivo Pessoal / OA

Ao contrário do que se podia esperar, a maioria das pessoas que vê Paulo César Cavalheiro trabalhando como fotógrafo, conhece sua história de vida. Isso porque Paulo faz questão de contar sua trajetória.

Nascido em Porto Alegre, chegou a Alvorada aos seis meses de idade e passou a morar no entorno da Lagoa do Cocão, onde ainda vive. Hoje com 42 anos, Paulo é ex-dependente químico e faz questão de divulgar sua situação como forma de impedir que outros repitam os erros que cometeu. Ele iniciou com álcool e aos 14 anos, trabalhando como conferente em uma transportadora e com uma boa renda, tinha livre acesso às bebidas e, mais tarde, chegou às drogas.

Querendo trabalhar com mais liberdade, aos 18 anos ingressou na construção civil e acabou se aproximando ainda mais dos entorpecentes. Por anos consumiu álcool e cocaína, principalmente nos finais de semana. Acabou se tornando empreiteiro e tinha uma Kombi de fretes. Casou com a professora Simone Doleys Schittler, com quem teve um filho, Athur Schittler da Silva, hoje com 14 anos.

Contudo, foi aos 33 anos que conheceu o crack. Foi o início de uma trajetória que o levaria para, como costuma chamar, “fundo do poço”. Parou de trabalhar e passou a vender tudo de valor que encontrava. “Pelei a casa, troquei rádio, TV, faqueiro, tudo por drogas”, relembra. Enquanto isso sua mãe seguia em oração, indo diariamente à Missa no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Porto Alegre, e frequentando o grupo Amor Exigente da Paróquia Santo Antonio, dirigido também a familiares de dependentes químicos.

Finalmente, em 15 de outubro de 2008, suas preces foram atendidas e Paulo, faminto e vivendo fora de casa, pediu ajuda e a internação. “Ele ainda tentou me enganar, mas consegui que fosse para a fazenda”, recorda Maria de Lourdes, que não esquece da precisão da data.

Foi na fazenda de internação que ele redescobriu a vida, recuperou a autoestima e conquistou uma imensa vontade de dividir sua experiência e tentar evitar que outras pessoas a vivessem. Foram 10 meses na Comunidade Terapêutica Ferrabraz, em Sapiranga. Os últimos meses eram de ressocialização, com períodos em casa com a família. “Mas eu tinha medo de sair de lá, tinha medo de voltar a consumir drogas”, confessa
Paulo, que passou a frequentar o CAPS AD de Alvorada e as reuniões dos Narcóticos Anônimos.

Foi no CAPS que fez um Curso de Fotografia e se apaixonou por essa arte que hoje divide com o filho Arthur. Eles trabalham em casamentos, batizados e demais festas das diversas Igrejas Católicas da cidade e em outros ambientes.

Paulo é atuante na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, onde participa da Pastoral da Comunicação (Pascom), é catequista e ministro de Eucaristia. Preocupado com a questão da drogadição e, principalmente, focado na recuperação, conseguiu instalar na sua comunidade um grupo do Amor Exigente, que é um lugar propício para a troca de experiências, informações e, principalmente, de sentimentos. “Sempre que me apresento em grupos de apoio, digo que estou limpo desde as seis horas da manhã, horário em que levanto. Porque essa é uma conquista diária, e as pessoas tem que saber que até mesmo que parou há mais tempo, enfrenta as mesmas dificuldades daquele que começou agora”.

Fonte: O Alvoradense