Vitório Trovão engajou-se na política logo cedo | Foto: Arquivo Pessoal / OA

Ele viu a cidade nascer em meio a uma tragédia que marcou sua vida positivamente. No dia 17 de setembro de 1965, quando saía para a reunião de emancipação da cidade, Justelino Borges da Silva caiu na porta de casa e ali morreu. O menino de nove anos e meio, abalado com a perda do avô, foi reconfortado pelo carinho das pessoas, que lotaram as ruas da pequena povoação para homenagear o homem que participava do grupo “Famílias Reunidas de Alvorada”, promotores da emancipação.

“Eu nunca tinha visto tanta gente, muito menos tantos carros!”, conta Vitório Trovão, que vê aquele momento como o seu ingresso na política. Toda aquela movimentação lhe despertou interesse pelo motivo que os unia, ou seja, a emancipação de Alvorada.

Nascido na rua Jaci Bastos, no Distrito do Passo do Feijó, então Viamão, com um ano de idade se mudou para a travessa José Feijó. “Ali era o centro, onde as famílias moravam, o comércio acontecia“, recorda. E a confirmação vem com o endereço da primeira Prefeitura de Alvorada, instalada na rua Noruega.

Aos 15 anos Trovão era presidente do Grêmio Estudantil da Escola Padre Léo, em Porto Alegre, sendo o amigo Flávio Silva, presidente do Grêmio da Escola Feijó. Ali nascia uma parceria que duraria anos e daria o rumo em sua trajetória.

Foi presidente da Setorial da Juventude do MDB de Alvorada com 17 anos, ao lado de Flávio, quando fundaram a União Municipal dos Estudantes de Alvorada, com o objetivo de implantar o 2º grau no município. Entre outras coisas, em 1978 formou a Comissão de Direitos Humanos em Alvorada e participou ativamente do início da União das Associações de Moradores de Alvorada (Uama).

Em 1979 participava de reuniões pró-PT, como setorial do MDB. No ano seguinte, em 10 de fevereiro de 1980, quando o Partido dos Trabalhadores foi criado, o Diretório Municipal de Alvorada foi composto pela quase totalidade da Juventude do PMDB. Foi assim que Alvorada se colocou entre os municípios que compuseram o novo partido desde sua fundação, já com 106 filiados. A partir daí, Trovão foi cinco vezes presidente do PT municipal, por nove mandatos membro da Executiva do Partido e por outros 12 do diretório.

Já em 1983, com o objetivo de aproximar as várias categorias de trabalhadores da cidade, surgiu a ideia da Casa do Trabalhador, para onde convergiram professores como Stela Farias, Professor Serginho, Clair Gabana, Alexandre Virgínio…

Foi na política que conheceu Márcia Bueno, com quem foi morar aos 33 anos, assumindo os filhos Anderson e Cristiano Rodrigues, hoje com 30 e 33 anos.

Saúde
Lembra que entre 1976 e 77, final da gestão do prefeito Elisardo Duarte Neto e início de Marne Feijó, Alvorada ganhou um Hospital de Campanha do Estados Unidos, que com o fim da Guerra do Vietnã, distribuiu dois desses para a América Latina, sendo que o outro ficou com a Bolívia.

O equipamento, apesar de completo, nunca foi utilizado, mas foi o gatilho para a construção do Hospital de Alvorada, que mesmo com obra concluída, ficou dois anos fechado até que, em 1985, um grupo de alvoradense fez uma manifestação com ocupação simbólica do espaço e inauguração.

Dois meses após essa ação, em 20 de setembro daquele ano, iniciaram as atividades oficialmente. E em 1988, também com a participação de Trovão, foi criada a Comissão Interinstitucional Municipal de Saúde, uma semente do atual Conselho Municipal de Saúde. Ele esteve a frente da Comissão por seis anos e coordenou o CMS, criando o Conselho Gestor do Hospital de Alvorada.

Transporte
O amigo Flávio Silva foi eleito vereador e levou Vitório Trovão para a Câmara como assessor. Interessados nas questões de transporte coletivo, dedicaram o mandato ao tema. Entre as conquistas, passagem livre para maiores de 60 anos nos ônibus municipais e passagem operária em todas as linhas.

Foi vereador de 1º de novembro de 1999 a 31 de dezembro de 2000, quando garante que teve sempre um olhar crítico e observador da cidade. “É bonito quando temos opiniões, mesmo que contrárias às nossas, que contribuam e nos façam melhorar”, avalia.

E, em 1987, com a criação do Código Nacional de Transito, ele passou a se integrar de forma mais ampla no assunto. O resultado desse trabalho é que hoje Vitório Trovão é conhecido nacionalmente pelas suas experiências em Alvorada e no Estado e também por ter multado o ministro do Transporte, Eliseu Padilha, que estacionou irregularmente nas proximidades da Prefeitura. “O caso repercutiu além do esperado, mas o que é certo, deve ser aplicado”.

Atuou como secretário de Transportes de Alvorada, no Conselho Estadual de Trânsito (Cetran) e no Detran. Foi decisivo no sucesso do movimento de Municipalização do Trânsito no estado e em 2011 lançou o programa Balada Segura e depois o Viagem Segura.

Hoje, prestes a completar 60 anos, acredita que ainda tem muito o que realizar pela cidade e pelo trânsito, como assessor técnico da Secretaria Municipal de Segurança e Mobilidade Urbana.

Fonte: Mariú Delanhese / O Alvoradense