Maria Zoreti se incomodava com a forma de distribuição das doações / Foto: Mariú Delanhese / OA

A Loja Social já encerrou seu atendimento ao público, não por falta de produtos ou clientes, mas pela necessidade de realizar o balanço final e conclusão dos trabalhos iniciados em 2013.

A iniciativa foi do gabinete da primeira-dama Maria Zoreti, que inconformada com a maneira como as roupas doadas eram distribuídas às pessoas, encontrou uma alternativa criativa e diferente.

Inspirada em um brechó municipal de Gramado, na serra gaúcha, Zoreti organizou a loja em um prédio da rua Wencelau Fontoura, bairro Nova Americana. Com a ajuda de sua equipe, voluntários e empresários locais, a Loja Social passou a contar com provadores, sessão masculina, feminina e infantil, além de calçados e acessórios.

Todas as roupas doadas passavam por inspeção, sendo lavadas e consertadas, quando necessário, para então serem expostas nas araras e prateleiras. A Loja foi aos poucos se equipando com máquina de lavar roupas e máquinas de costura, utilizadas por voluntárias para a recuperação das peças.

“Esta foi a forma que encontrei de distribuir o que era doado de forma digna às pessoas”, avalia a primeira-dama, recordando que muitos dos clientes, como eram chamadas as pessoas que ali chegavam, saíam irreconhecíveis. “Lembro bem de um morador de rua que ao chegar recebeu um kit de higiene pessoal, com sabonete, escova de dentes e aparelho de barba, e se dirigiu ao vestiário do ginásio municipal. Quando ele voltou, após um bom tempo, nenhum de nós o reconheceu!”.

Outras histórias inesquecíveis são as de entrevista de empregos ou casamentos. Nestes casos ternos e vestidos de noivos eram “alugados”, pois os clientes precisavam devolver a peça para que pudesse ser novamente usada. “Contamos com a parceria de uma loja de aluguel de roupas e, muitas vezes, conseguimos também vestidos para as aias de muitos casamentos”, lembra com emoção.

O critério para frequentar a Loja Social era que a família participasse de algum programa social. Para tanto o Gabinete da Primeira-Dama contava com a parceria da Secretaria de Assistência Social, que era quem emitia o vale para o uso. “Desta forma tínhamos a possibilidade de atender quem realmente necessita”.

Deste convívio com as famílias surgiu ainda a possibilidade de esclarecer às pessoas de seus direitos e das possibilidades que surgiam na cidade, como novos empregos, cursos profissionalizantes e atendimento em saúde, entre outros.

Outro momento importante da Loja Social foi durante as cheias de 2015, quando o Ônibus da Cidadania, uma extensão da loja, permaneceu por 40 dias na área alagada, atendendo os atingidos, independente de sua condição social ou financeira.

O Ônibus surgiu da necessidade de levar a Loja aos bairros e, periodicamente, estacionava junto a escolas, centros de referência, postos de saúde ou associações de moradores, onde os clientes eram selecionados pelas lideranças comunitárias, que poderiam ser diretoras de escolas ou a presidência das associações.

“Sei que essa iniciativa foi do atual governo e entendo que talvez o próximo prefeito não reabra a Loja Social. Mas sei que, neste sentido, fiz o melhor para a comunidade carente de Alvorada, os tratando com dignidade e respeito”, avalia a primeira-dama Maria Zoreti.

Fonte: O Alvoradense