Moradores de Alvorada Viamão protestam em frente à ETA Itapuã por abandono da obra que abasteceria as duas cidades

0
940

Moradores de Alvorada e Viamão realizaram, na manhã deste sábado (6), um protesto em frente à Estação de Tratamento de Água (ETA) Itapuã, em Porto Alegre, contra a crise no abastecimento que afeta as duas cidades há anos. A mobilização contou com o apoio da deputada estadual Stela Farias (PT), de vereadores e lideranças comunitárias e ambientais dos dois municípios, que cobram explicações da empresa AEGEA/Corsan e providências urgentes do poder público.

O ponto principal do protesto foi a paralisação das obras da ETA Itapuã–Lami, planejada para garantir o abastecimento de Viamão e Alvorada, especialmente em períodos de seca. Em vez de concluir a obra estratégica, na qual foram investidos mais de R$ 100 milhões de recursos públicos, antes da privatização da Corsan, a empresa AEGEA abandonou a construção e este ano passou a perfurar irregularmente poços artesianos no distrito de Águas Claras, em Viamão, para captar água de forma subterrânea. A perfuração só foi paralisada graças à vitória judicial de uma Ação Civil Pública, movida pelas associações de moradores.

Segundo as denúncias, a água dos poços seria mais barata do que a água tratada na ETA, captada diretamente do Guaíba, o que teria motivado a substituição irregular de uma fonte segura e pública por uma alternativa de risco.

O ato desta manhã foi reflexo direto das denúncias levadas pela deputada Stela Farias à tribuna da Assembleia Legislativa. A parlamentar classificou a situação do Sistema Alvorada–Viamão (SIAVI) como um “escândalo gravíssimo”, que expõe milhares de pessoas ao risco de desabastecimento, contaminação da água e esgotamento dos aquíferos.

Segundo Stela, se a ETA Itapuã estivesse em funcionamento, não faltaria água para Alvorada, Viamão, a região da Lomba do Pinheiro e os demais bairros atendidos pelo SIAVI neste verão, o que já começa a ocorrer.

A deputada também fez críticas aos órgãos de controle. Segundo ela, o Tribunal de Contas do Estado informou que não poderia mais atuar sobre a obra por se tratar de empresa privatizada. Já o Ministério Público, conforme relatado por Stela, alegou não haver “fatos novos”, mesmo diante das perfurações irregulares e da falta de água que se arrasta há cerca de cinco anos.

Stela Farias ainda denunciou a existência de pressões e lobby envolvendo o caso. “Há interesses fortes para manter tudo como está, enquanto a população corre risco real de ficar sem água em pleno verão”, afirmou durante seu pronunciamento.

Como encaminhamento, a deputada anunciou que irá solicitar, com urgência, uma audiência com a AGERGS, agência reguladora dos serviços delegados, para cobrar explicações da empresa e providências concretas do Estado. “Privatização não é licença para abandono. A água é um direito humano fundamental e continuará sendo responsabilidade do poder público”, destacou.

O protesto em frente à ETA Itapuã escancarou a indignação acumulada de milhares de famílias que convivem há anos com a insegurança hídrica em Viamão e Alvorada. O recado foi direto: a paciência acabou, e a população exige água na torneira e respeito aos recursos públicos já investidos.