A medicina, na antiguidade, era baseada na observação e na experimentação. Acreditava-se que o organismo era composto pelos quatro elementos da natureza e que um desequilíbrio entre eles causaria uma doença. O médico ou curandeiro relacionava todo o ambiente em que a pessoa vivia com a enfermidade que possuía, os diagnósticos eram baseados em crenças aliadas a evidências físicas e à experiência do médico.  Apesar das inúmeras contribuições que esses povos trouxeram para o avanço da medicina até os dias atuais, não podemos esquecer que muitas pessoas morriam por intoxicação, infecção e por tratamento inadequado e que a expectativa de vida daquela época era muito baixa, por isso não podemos e nem precisamos continuar utilizando práticas experimentais quando já temos um caminho seguro para seguir.

Atualmente a medicina se divide em diversas áreas de atuação, onde o médico precisa alinhar a sua experiência com as melhores evidências científicas disponíveis para tomar a decisão sobre um diagnóstico ou tratamento adequado ao seu paciente. Durante a pandemia surgiram hipóteses sobre o uso de hidroxicloroquina e ivermectina para combater a doença causada pelo coronavírus, mas estudos eficazes comprovam que esses fármacos não funcionam para tratar a Covid-19, além disso, podem causar danos para a saúde individual e coletiva. Apesar das evidências alguns médicos continuam prescrevendo estes medicamentos.

A boa ciência é praticada sem tendências políticas, dogmáticas ou interesses pessoais, tem que ser reproduzível e se mostrar com saldo positivo na balança entre risco e benefício. O que temos visto são alguns profissionais que colocam em risco a saúde dos seus pacientes em prol de uma solução rápida e ineficaz da pandemia ou por egocentrismo, motivos que nada tem a ver com ciência. É preciso deixar a pesquisa e a experimentação dentro do laboratório, com quem entende do assunto.

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