Esquema ocorria desde março deste ano na DPPA, aponta o MP | Foto: Jonathas Costa / Arquivo OA

O Ministério Público (MP), em conjunto com a Corregedoria da Polícia Civil e a 1ª Delegacia Regional Metropolitana, deflagrou nesta quinta-feira (16) a Operação Depuração. São cumpridos seis mandados de prisão preventiva em Alvorada e Porto Alegre.

Os suspeitos são um delegado de polícia, uma advogada, dois policiais civis, um ex-policial militar e mais um comparsa do grupo, todos acusados de exigirem valores de presos em flagrante e de familiares de presos para que não fosse registrado o flagrante ou sob o pretexto de fiança, apropriando-se indevidamente de quantias.

Nove mandados de busca e apreensão também foram efetivados. Os nomes dos suspeitos ainda não foram divulgados pelo MP.

O esquema
As investigações, iniciadas em maio deste ano, revelaram que o grupo cobrava valores acima da fiança e se apropriavam do excedente. O ex-PM e a advogada ficavam do lado de fora da Delegacia de Pronto Atendimento (DPPA) de Alvorada, no bairro Maria Regina, para onde são levados os presos em flagrantes. O caso ocorreu entre março e junho deste ano, pelo menos.

No local, apontam os investigadores, faziam o intermédio da cobrança junto aos familiares dos presos. A cada plantão, estima-se o lucro de R$ 2 mil a R$ 5 mil. São realizados em média dois plantões por semana.

Além disso, eles consultavam indevidamente o sistema restrito à segurança pública para verificar se determinado veículo poderia ser indevidamente restituído, clonado ou adulterado, bem como avisavam a terceiros sobre eventuais investigações policiais em andamento.

O grupo é acusado de quatro crimes: concussão, organização criminosa, violação de sigilo profissional e usurpação da função pública. As penas poderão ser fixadas entre sete anos e seis meses a 23 anos de reclusão, além de multa e perda do cargo público.

O MP também apura a ocorrência de atos de improbidade administrativa, o que poderá resultar aos investigados na fixação de multa, proibição de ser agente público e perda dos cargos.

Fonte: O Alvoradense