Polícia realiza Operação “Ultima Castellum” no combate a organizações criminosas

Grupo usava mulheres para despistar as ações de tráfico de drogas e armas

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Foto: Polícia Civil / OA

Em seguimento às investigações policiais iniciadas com uma grande apreensão de drogas, armas e munições em Alvorada, no ano 2020, a Polícia Civil realizou nesta terça-feira (01), a Operação “Ultima Castellum” em Porto Alegre e Região Metropolitana.

Esta foi mais uma operação contra  narcotráfico e organizações criminosas, em que foram cumpridas 27 ordens judiciais, 17 mandados de prisão preventiva e 10 ordens de busca e apreensão em Alvorada, São Leopoldo e Porto Alegre, em ação conjunta da 3ª DIN/DENARC, com apoio da 2ª DIN/DENARC, participando três delegados de Polícia e 75 agentes da DPHPP, DEIC, CORE, COD/DPRPA e Policiais Militares do 21º BPM, de Porto Alegre.

Conforme o delegado Alencar Carraro, em janeiro de 2021 foi preso, em flagrante, um membro da Facção dos “Veio”, com drogas, dinheiro. A partir daí houve novas diligências  investigativas que resultaram em oito mandos de busca e apreensão em julho de 2021, no bairro Restinga, com três presos em flagrante, apreensão de drogas, munições e aparelhos celulares.

As residências onde se escondiam eram protegidas com muros de pedra, grades de aço, câmeras de monitoramento, verdadeiras “Fortalezas”, inclusive dando nome à Operação.

A partir do monitoramento de suspeito de comércio de armas, tráfico de drogas e atentados contra grupos rivais, foi apurado que uma facção criminosa do bairro Bom Jesus estava disputando pontos de venda de drogas com rivais na Vila Jardim, Vila Nazaré, Restinga e em Alvorada e São Leopoldo.

Mulheres

Foi percebida uma importante participação de mulheres na realização de transferências bancárias com apenados, transmissão de ordens para traficantes e associados que estão em liberdade e, também, a realização direta de aquisições de drogas, armas e munições. A maioria delas com filhos e sem antecedentes criminais, provavelmente para que passassem desapercebidas dos policiais e para aproveitar as brechas legais das que possuem filhos, impossibilitando que fiquem presas por muito tempo.

Alvorada

Muitas das ações das facções criminosas citadas na investigações acontecem em Alvorada por pessoas envolvidas em crimes graves. Por exemplo, quando em 2016 quatro jovens foram torturados e decapitados, tendo suas cabeças deixadas dentro de um veículo no município.

O mandante foi apontado como uma das lideranças da facção Antibala, de Alvorada, homem extremamente perigoso que possui uma dezena de antecedentes policiais como mandante de homicídios.

Com o transcorrer das investigações foi apurada a relação entre traficantes contrários ao grupo da Bom Jesus. Traficantes de Alvorada e São Leopoldo possuíam laços com raficantes da Restinga, os “Véio ou Ferro Velho”. Inclusive foram localizadas anotações de transações de drogas entre traficantes associados, indivíduos que possuem lideranças expressivas nas suas respectivas áreas de atuação. Trata-se de traficantes de alta periculosidade, atualmente presos, respondendo pela prática de dezenas homicídios em Porto Alegre e Região Metropolitana.

Outro grupo investigado é o que lidera o tráfico de drogas na Vila Nazaré, no Sarandi. Dois irmãos com diversas ocorrências por tráfico de entorpecentes, porte ilegal de arma e homicídio. Um deles, após sofrer diversos atentados, foi vítima de homicídio recentemente, que foi registrado por câmeras de monitoramento e amplamente divulgado na imprensa.

O outro irmão e mais três comparsas foram presos em 15 de julho de 2021, em ação conjunta da 3ª DIN/DENARC com a Brigada Militar, sendo apreendidos cerca de 300 kg de maconha em uma residência do Sarandi.

Durante as investigações foi identificado um intenso comércio de armas de fogo e munições entre membros as facções, através de mensagens telefônicas obtidas com autorização judicial.

Mais recentemente, em 27 de janeiro, em nova ação de combate a esses suspeitos que praticam comercial ilegal de arma de fogo, foram presos em flagrante um casal e, com eles, aproximadamente 2.500 cartuchos, calibre .9mm.

Também foi apurado um complexo esquema de depósitos bancários e via PIX para visitantes de apenados, que permitia a aquisição de drogas, armas e até a manutenção das despesas das lideranças do tráfico que estão recolhidas no Sistema Penal gaúcho.

Finalmente, na manhã desta terça-feira (01) foi deflagrada a Operação “Ultima Castellum”, que também apreendeu aproximadamente 350g de maconha, 12 kg cocaína, 3000 cartuchos de diversos calibre, duas armas de fogo, quatro veículos.

Durante as investigações foram presos 13 suspeitos e agora foram cumpridos 11 mandados de prisão preventiva e destes, seis indivíduos já estão recolhidos ao sistema carcerário.