Foto: Jonathas Costa / Arquivo / OA

Com a eminente paralisação do transporte público em Alvorada por parte dos rodoviários, a cidade corre o risco de ficar completamente parada e consegue experimentar o que pode acontecer caso a empresa definitivamente não se recupere das dificuldades que afirma vir enfrentando nos últimos anos.

E o problema não está centralizado em Alvorada ou região metropolitana. O setor de transporte público enfrenta dificuldades em todo o estado e país. Há registros de cidades que realizaram licitações que deram desertas, ou seja, sem nenhuma empresa interessada no serviço. Como exemplo Pelotas, Rio Grande e Passo Fundo. A VAL tem contrato com o município até 2023, caso não tenha interesse em participar de nova licitação ou essa não apresente interessados, a Prefeitura é quem deve assumir o transporte.

Procurado pela reportagem do jornal O Alvoradense, o secretário municipal de Segurança e Mobilidade Urbana, Sérgio Coutinho, lembra que a tentativa em auxiliar a empresa acontece há alguns anos, ainda durante a administração do prefeito Sérgio Bertoldi.

Ele conta que desde 2017 a Prefeitura está preocupada com a questão em Alvorada. Naquele ano foi feito um estudo técnico por uma empresa contratada, que n a queda no número de passageiros, a qualidade do transporte publico e a inviabilidade da malha viária. “Com o atual modelo de mobilidade, não há possibilidade das empresas terem lucratividade, e isso em várias cidades. Ele é inoperante, não só em Alvorada, mas em toda a região metroplitana”, ressalta Coutinho.

Na época foi chamada Audiência Pública com a Câmara de Vereadores e Associações de Moradores para apresentar um plano de readequação das linhas, como forma de minimizar o problema. “Infelizmente não houve apoio por parte da comunidade ou dos vereadores”, lamenta o secretário.

A licitação feita em 2003, tinha um prazo de 10 anos, que poderiam ser renovados por mais 10 anos, chegando a 2023. Conforme a empresa, e confirmado pelo estudo de 2017, a VAL nunca chegou a atender o número de passageiros projetados no edital, e consequentemente nunca teve o lucro esperado.

Ao longo dos anos outras questões surgiram, como a gratuidade e descontos oferecidos, entre eles o passe livre a idosos a partir dos 60 anos e deficientes, passagem operário que foi extinta e passagem escolar.

Aliado a isto, segundo a empresa, nos últimos anos houve nova redução de passageiros graças aos aplicativos e clandestinidade no transporte

Coutinho afirma que recentemente, como forma de garantir a circulação dos ônibus, a Prefeitura elaborou junto à empresa, projeto de readequação de linhas, com redução de trajetos e horário e a suspensão de algumas linhas. “Esta foi uma opção radical”.

Antes disso, o projeto de isenção do ISS, a implantação da integração entre linhas e empresas foram usadas como paliativos para evitar que a cidade fique desassistida.

Por fim o secretário Sérgio informa que autorizou que vans escolares, que estariam sem renda durante a pandemia, atuassem nos bairros. “Mas a iniciativa confirmou o que a empresa já havia verificado, o número de passageiros é baixo e não incentiva a atuação dos motoristas”.

Até a tarde de terça-feira (23) a Prefeitura não havia sido informada formalmente sobre a paralisação dos rodoviários