Jovens se preparam com aulas práticas e teóricas para o ingresso nas academias militares | Foto: Jonathas Costa / OA

É o que bradam e acreditam os quase 60 jovens alvoradenses que participam do treinamento da Força Patriota Estudantil (Fope). A iniciativa surgiu em São Paulo e visa preparar jovens para as escolas e carreiras militares.

O projeto social foi trazido do estado paulista por Daniel Moretto em 20 de setembro de 2009 e começou a se espalhar por Porto Alegre e região metropolitana.

Hoje, além da Capital e de Alvorada, Cachoeirinha, Viamão, Guaíba e Eldorado do Sul também possuem companhias do Fope Brasil, que formam uma nova geração de militares e uma nova geração de cidadãos preocupados e conscientes de suas responsabilidades e direitos dentro da sociedade.

O projeto cívico social, além de preparar jovens entre oito e 18 anos para o ingresso nas carreiras militares, prepara-os para a vida.

Eles começam a aprender desde muito cedo a importância de respeitar hierarquias, disciplina e respeito com o mais velho e com a natureza. Os jovens recebem a preparação completa para o ingresso nas escolas militares e aprendem desde cedo valores e características aprendidas dentro das academias militares do Brasil.

Além da preparação teórica para que os jovens ingressem nas escolas militares, o Fope também ministra treinamentos práticos visando à integração do aluno com a vida militar, através dos treinamentos pré-militares adaptados pedagogicamente à idade dos mesmos.
O curso completo dura cerca de um ano, mas nada impede que os jovens continuem na companhia e passem a monitores dos mais novos.

Este é o caso de Matheus Nunes Ferreira – Ferreira, como é chamado por todos –, que começou sua preparação como aluno e hoje é monitor da companhia de Alvorada e um dos responsáveis pela vinda do projeto para a cidade. Assim como outros jovens, ele treinava na Zona Norte de Porto Alegre, mas quando o Fope começou a crescer, surgiu a ideia de descentralizar o projeto.

Para ele uma das intenções principais do projeto é dar um direcionamento aos jovens que o frequentam. “A intenção é, acima de tudo, tirar esse jovem da rua e mostrar para ele um caminho”, afirma.

De acordo com Daniel Moretto. O paulista que veio para ficar três semanas preparando as equipes no Rio Grande do Sul e acabou ficando, o trabalho vai além da preparação para as escolas e academias militares: “é uma preparação para a vida”, destaca.

Uma preparação que rende frutos

Graças ao treinamento e ao trabalho realizado pelos líderes e monitores do Fope na cidade e em toda região metropolitana, o trabalho tem rendido bons frutos. Um deles é a iniciativa do aluno Rony. O menino de 11 anos criou uma sociedade secreta junto com os colegas e começou a organizar projetos sociais. Ele organiza mutirões junto aos parceiros para arrecadar mantimentos e agasalhos e os distribui em comunidades carentes. Moretto e os demais monitores só descobriram a ação do jovem quando receberam agradecimentos e elogios pela ação.”As pessoas pensavam que era uma obra da corporação, mas ele organizou tudo sozinho, nós nem sabíamos”, comenta.

O menino alegou aos seus superiores que não tinham intenção de que soubessem da atividade porque a intenção era apenas fazer o bem e ajudar as outras pessoas.

Outro jovem que se destaca na corporação é o alvoradense Eduardo Piccola, que participou do curso e foi aprovado no ano passado para o Instituto Tiradentes do Colégio Militar, com notas ótimas e graduado com a segunda colocação na avaliação física. O morador do Bairro Salomé frequentou os grupos de estudos e participou das atividades do Fope e, durante um ano, se preparou para as atividades na academia militar.

Não existem pré-requisitos para o ingresso na Força Patriota Estudantil. Além da idade – o jovem precisa ter entre oito e 18 anos – ele apenas precisa encontrar uma companhia e passar a assistir ao treinamento. Para passar de aspirante a aluno a líder, ele enfrenta algumas provas físicas e teóricas onde demonstra seu empenho e dedicação.

 

Fonte: Amanda Fernandes / OA