Aparelho exigido por lei custa entre R$ 1,8 mil e R$ 6 mil | Foto: Divulgação / OA

Uma nova determinação tem tirado o sono dos donos de salões de beleza de Alvordada. Segundo a portaria número 500, divulgada no Diário Oficial em outubro de 2010, centros de estética e salões de cabeleireiros não podem mais utilizar aparelhos como estufas nem aparelhos com radiação ultravioleta para esterilização de materiais de manicure, pedicure e podologia.

De acordo com essa determinação, todos os estabelecimentos necessitam de um aparelho chamado “autoclave”. O instrumento serve para esterilização dos materiais perfurocortantes, visando à redução de contaminação dos vírus das hepatites B e C e do virús da imunodeficiência adquirida (HIV).

A queixa de grande parte dos salões, em especial aqueles que se localizam nos bairros, no entanto, é quanto ao valor das máquinas, que varia entre R$ 1,8 mil e R$ 6 mil. A falta de orientação dos órgãos fiscalizadores do município em relação ao tipo de máquina que comportaria a demanda de trabalho de cada estabelecimento também gera queixas.

O contabilista Luis Antônio Silva, que presta consultoria contábil e jurídica a uma das cabeleireiras ouvidas pela reportagem d’O Alvoradense, reforça a necessidade de os fiscais terem conhecimento das exigências. “Eles não dão orientação alguma quanto à necessidade do aparelho, nem quanto ao que acontece com quem não tem condições de manter a máquina”, explica Silva.
Muitas cabeleireiras recorrem à protelação do prazo disponibilizado pela Secretaria de Saúde para continuar funcionando.

Determinação pode gerar demissões

Sem muitas alternativas, alguns donos de salões de beleza já pensam em fechar as portas. Em muitos casos, os estabelecimentos não podem manter uma máquina do valor de um autoclave. Algumas donas desses salões menores cogitam dispensar os serviços de manicure, o que geraria um problema social ainda maior, já que essa manicures passariam a atender a domicílio, o que signifcaria que a esterilização, que se tornou ineficiente com as estufas e os aparelhos por radiação utilizados atualmente, seria prati-camente nula.

Além de aumentar os indices de desemprego na cidade, permitir esse atendimento residencial aumentaria as probabilidades de contágio e contaminação por vírus e fungos que podem ser transmitidos através desses aparelhos quando não são devidamente esterilizados.

A exigência do autoclave nos salões de Alvorada não condiz com a realidade da maioria das cabeleireiras da cidade.

O custo para adquirir a máquina e para sua manutenção é alto demais para grande parte das proprietárias.

A cabeleireira Maria Oneide da Silva afirma que ela é uma que vai dispensar a manicure se a compra do autoclave for a única alternativa.

Com salão há aproximadamente um ano no bairro Piratini, onde a concentração de salões de beleza é grande, ela teria que aumentar o valor dos serviços de manicure para compensar a compra da máquina, o que, pra ela, não é vantagem. “Nem em Porto Alegre isso é real; aqui, por falta de condições de manter a autoclave, e lá, por falta de tempo para esterilizar de forma correta”, afirma Maria Oneide.

Aparelhos como o autoclave necessitam de manutenção preventiva no mínimo semanal, o que também aumentaria o custo.

Fonte: Amanda Fernandes