A denúncia encaminhada ao Ministério Público pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Alvorada (Sima) de que cargos de confiança da prefeitura e secretários municipais estariam coagindo funcionários repercutiu na sessão da Câmara de Vereadores desta terça-feira.

Após um dia marcado por protestos e manifestações, os parlamentares usaram o espaço de debates que cada um tinha direito para comentar as reivindicações do funcionalismo.

O vereador Vanio Presa (PMDB) sugeriu a criação da Frente Parlamentar contra o Assédio Moral dos Servidores Públicos Municipais. O grupo seria formado por um representante de cada partido e buscaria discutir políticas públicas contra o assédio moral, realizar audiências públicas para ouvir relatos dos servidores e promover seminários e palestras sobre o tema.

“Não estamos dizendo que existe no governo este tipo de tratamento, mas existem relatos de que isso possa estar acontecendo”, afirmou Presa.

A maior polêmica foi a reunião que ocorreu durante a noite de segunda-feira no Salão Nobre da Prefeitura, convocada pelo governo municipal. Na ocasião, segundo a direção do Sima, os agentes de saúde teriam ouvido ameaças para não aderirem a paralisação desta terça.

Na tribuna, Irmã Sara (PMDB) afirmou que recebeu denúncias de servidores sobre a reunião. “Isto é impossível, indigno, não pode de maneira nenhuma acontecer”, afirmou.

Juliano Marinho, líder da bancada do governo na Câmara, rebateu: “Desafio os vereadores a provarem o que disserem”. Segundo o petista, a reunião serviu para anunciar aos agentes de saúde a inclusão de benefícios para a categoria que não haviam sido incluídos no projeto original do reajuste do vale-refeição.

A presença da Brigada Militar, Guarda Municipal e de grades de ferro em volta do prédio da prefeitura ao longo do dia também foram durante criticadas pelos vereadores de oposição.

“Faço política partidária há 15 anos e não me recordo de ter acontecido algo semelhante antes”, lembrou Presa. Segundo ele, funcionários da Guarda Municipal que estavam de folga foram convocados para trabalhar “numa operação abafa”, definiu.

A sessão já se encaminha para o fim quando uma das pessoas presentes no plenário gritou que os vereadores não trabalhavam. Tão logo ouviu a ofensa, o presidente da Câmara, Cristiano Schumacher (PT), solicitou que fosse identificado o autor da fala e que o mesmo fosse retirado do local. “Não vamos tolerar mais ofensas nesta Casa”, afirmou.

Fonte: O Alvoradense