Primeira reunião entre Brigada Militar e comunidade para implementar os núcleos do policiamento comunitário ocorreu na semana passada | Foto: Jonathas Costa / OA

Foi em uma sala cedida pela escola Castro Alves na tarde da quarta-feira, dia 5, que policiais militares e moradores de regiões com altos índices de criminalidade promoveram o primeiro encontro para iniciar na prática o projeto de Policiamento Comunitário (PC).

A proposta é levar a Brigada Militar para dentro dos bairros e promover uma convivência de respeito e confiança com os moradores de cada região. Para isso, o projeto do Governo do Estado coloca quatro soldados para morarem na região onde farão o policiamento.

O encontro desta semana serviu para apresentar aos moradores alguns dos policiais que ficarão responsáveis pelo patrulhamento de seus bairros. De acordo com Major Couto, à frente do 24º Batalhão da Brigada Militar de Alvorada, a corporação já entrou em contato direto com alguns moradores para se apresentar e coletar as primeiras informações sobre as demandas. “Se não enfrentarmos o problema de frente e não tivermos diálogo, as coisas não vão funcionar”, avalia o major.

A boa iniciativa, contudo, esbarra na carência de efetivo de Alvorada. Durante evento no dia 30 de setembro, o Governo do Estado entregou ao 24º BPM onze novas viaturas para o patrulhamento comunitário. O batalhão receberá ainda armamento, algemas e coletes, mas não há, por parte do Governo, sinalização para o aumento do número de policiais militares na cidade.

Ainda assim, as dificuldades não devem impedir a realização do programa, segundo garante major Couto. “Não podemos dizer que, só porque temos carência de efetivo, não faremos nada.” A proposta é iniciá-lo com remanejamento de funções em turnos e dias inversos, o que não é visto com bons olhos pelo alto comendo da Brigada Militar.

Para o coronel Júlio César Marobin, coordenador dos Núcleos de Policiamento Comunitário da Secretaria de Segurança Pública, a carência de novos policiais militares não compromete o programa. “O policial que recebeu o treinamento para atuar no policiamento comunitário não deixa a cidade, ele apenas passa a atuar em um bairro específico”, explica.

Responsável pelos 133 núcleos em funcionamento em 24 cidades gaúchas, o coronel garante que o trabalho preventivo inibe o crescimento das ocorrências. “Foi assim nas demais cidades em que atuamos e nunca houve o reposicionamento de novos soldados”, esclarece ao afirmar que “em nenhum momento se sinalizou que seria de outra forma”.

Batalhão recebeu onze novas viaturas para o policiamento comunitário | Foto: Claudio Fachel / Palácio Piratini / OA
Batalhão recebeu onze novas viaturas para o policiamento comunitário | Foto: Claudio Fachel / Palácio Piratini / OA

Entenda como vai funcionar

• A Brigada Militar criou dez grupos de quatro soldados que passarão a atuar na vigilância de bairros específicos. Chamados de núcleos, estas regiões englobam mais de um bairro e foram escolhidas a partir de análise conjunta entre a BM e a prefeitura.

• Cada grupo vai se revezar em duplas por turno. Como serão sempre os mesmos, a intenção é que eles passem a conviver com os moradores diariamente.

• A aproximação deve beneficiar a troca de informações sobre os problemas de cada núcleo. A carência de iluminação pública e focos de lixo em terrenos abandonados passam a contar como artifícios que ampliam a insegurança nos bairros e os soldados estarão aptos a encaminharem as reclamações.

• O programa não exclui as demais atividades da BM, como o patrulhamento, por exemplo.

Os núcleos

Núcleo 1 Sitio dos Açudes e Vila Isabel.
Núcleo 2 São Lourenço e Umbu.
Núcleo 3 Onze de Abril, Salomé, Cedro, Barcellos, Morumbi e Jundiaí.
Núcleo 4 Nova Americana, Icaraí, Taimbé, União, Jd Esplanada.
Núcleo 5 Sumaré, Agriter, São Caetano, Americana.
Núcleo 6 Intersul e Jd. Porto Alegre.
Núcleo 7 Santa Bárbara e Jd. Alvorada.
Núcleo 8 Caxambu, São Francisco e Piratini.
Núcleo 9 São Pedro e Pro Morar.
Núcleo 10 Vila Aparecida, Stella Maris e Torotama.

Fonte: Jonathas Costa / O Alvoradense