Foto: Daniela Barcellos/ Palácio Piratini

Em um evento com empresários da cidade de Carlos Barbosa, na Serra gaúcha, Giovani Feltes (PMDB), secretário da Fazendo do Rio Grande do Sul, insinuou que já fez uso de caixa 2 em campanhas eleitorais. “Vamos ser francos entre nós (em off pessoal): anjo não se elege nem vereador em Carlos Barbosa”, afirmou.

Apesar de ter sinalizado que gostaria que sua fala não fosse divulgada, o áudio de parte da conversa foi divulgado pela imprensa nesta quarta-feira (14). O evento era aberto ao público e tinha a presença de vários jornais locais.

O secretário citou que já se elegeu para vereador, prefeito e deputado estadual e descreve situações recorrentes do recebimento de “recursos não declarados” em campanhas eleitorais. Ele descreve o que seria um possível diálogo com algum doador de campanha: “‘Me dá uma mão para a campanha?’ ‘Eu tenho R$ 5 mil, R$ 10 mil, R$ 50 mil, mas não coloca meu nome na tua prestação de contas’. Quem dizia que não?’”, indaga ele.

O secretário ainda cita exemplos de como se consegue dinheiro para campanha. “Jogou no bicho. Então eles podem eleger vocês; igrejas, de qualquer credo. Tráfico, já pensaram nisso?” Ele também aponta o que seria a influência de traficantes na política. “Em off: em Novo Hamburgo elegeram um traficante para a Câmara de Vereadores, e também conheço outras cidades que elegeram. Lá é dos Manos, mas deve ter alguém dos Bala na Cara eleitos para vereador em alguma cidade. E a gente não quer saber de política. Desculpa a provocação, mas nós todos temos um pouco de culpa. Desculpa.”

Confira um dos trechos da fala de Feltes:

Após a repercussão, a Secretaria da Fazenda divulgou nota lamentando a divulgação da conversa. Confira na íntegra:

“Na última segunda-feira (12), a convite da ACI (Associação Comercial e Industrial) de Carlos Barbosa, o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, realizou palestra abordando a situação das finanças públicas e os desafios para colocar o Rio Grande do Sul em um patamar de equilíbrio fiscal. Falando por quase duas horas para uma plateia formada por empresários da cidade, o secretário tratou dos problemas estruturais do Estado, traçou uma retrospectiva histórica sobre as medidas já adotadas por diferentes governos e destacou os projetos que buscam a reforma do Estado ora em análise pela Assembleia Legislativa.
Como tratou-se de uma explanação longa, o secretário lamenta que frases esparsas e sem vinculação com o tema principal acabaram ganhando repercussão após publicadas por um jornal local, mesmo com o alerta preliminar de que se tratavam de manifestações em caráter reservado. São expressões que o secretário se utilizou de maneira genérica, sem vinculação a um fato objetivo e específico. O secretário reconhece que foram colocações fora do contexto e infelizes.
Porto Alegre, 14 de Dezembro de 2016.”