Apenas 50% da frota da empresa esta circulando pelas ruas de Porto Alegre | Foto: Guilherme Trevisol / PMPA / Divulgação / OA

Nas primeiras horas da manhã desta terça-feira os ônibus da Companhia Carris Porto-alegrense (Carris) não circularam pelas ruas da Capital em protesto contra demissões por justa causa ocorridas nessa segunda-feira.

Após as 7h, os primeiros coletivos começaram a sair da garagem na rua Albion, zona Leste da Capital. De acordo com o diretor-presidente da empresa, Sérgio Zimmerman, 50% dos veículos já operam nas vias. “Esperamos até o final da manhã estar com a frota completa”, disse em entrevista à Rádio Guaíba.

Em razão da paralisação, as paradas de ônibus ficaram lotadas e os lotações foram autorizados pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) a circularem com passageiros em pé.

O itinerário de ao menos sete linhas está sendo feito por outras empresas. A Unibus ficou responsável pelo trajeto do T3, T6 e T8. A Conorte realiza os roteiros do T1, T2 e T4. Já a linha T11 está sendo cumprida pelo consórcio STS.

No começo desta manhã, houve um princípio de tumulto entre parte dos funcionários da Carris e a Brigada Militar (BM). Segundo um integrante da comissão de funcionários, cobrador Edson Floriano Pereira, o acordo era liberar apenas 30% da frota para as ruas. “Já saíram dez carros além do combinado. A combinação era liberar apenas 30%. Não estamos aqui de palhaços”, afirmou.

Fraude em bilhetagem eletrônica
Em nota divulgada nessa segunda-feira, a Carris confirmou ter dispensado cobradores que, segundo a companhia, fraudaram o sistema de bilhetagem eletrônica do transporte público. A ação ilegal é enquadrada como improbidade administrativa. A Carris vai encaminhar o caso ao conhecimento do Ministério Público Estadual, do Tribunal de Contas do Estado, da autoridade policial e promover, por meio da Procuradoria, uma ação de ressarcimento dos valores desviados. Alguns cobradores, segundo a empresa, desviavam até R$ 2 mil por mês.

De acordo com Zimmermann, a fraude funcionava de diversas formas, mas existiam duas práticas mais comuns. Uma delas consistia em obter o cartão TRI de um idoso. A partir daí, o cobrador recebia o dinheiro da passagem e ainda assim passava o cartão. Este tipo de fraude foi registrada 40 vezes em um dia em apenas um ônibus. Outra maneira de fraudar o sistema de bilhetagem era realizar a inversão da roleta na passagem gratuita.

Zimmermann afirmou que os processos são individuais e que não foram divulgados para o Sindicato dos Rodoviários. “Os documentos serão liberados apenas para os funcionários investigados e para seus advogados”, avisou.

Investigação profunda
Sérgio Zimmerman afirmou que a investigação da Carris foi profunda e não soube informar se mais funcionários serão desligados. “Atualmente, o setor de operação conta com 1,5 mil servidores. Nós realizamos uma investigação mais detalhada sobre 90 pessoas e deste número chegamos aos 40 que foram afastados, por suspeita de fraude no sistema de bilhetagem, o cartão TRI”, explicou.

Os funcionários afastados reclamaram que não tiveram chance de defesa. Segundo os trabalhadores, eles eram demitidos assim que chegavam à sede da Carris. Zimmerman minimizou a situação. “A comissão de sindicância foi formada por funcionários de carreira, que fizeram a investigação. Isso vem desde março. Eles terão toda chance de defesa agora. Nós vamos encaminhar os documentos ao Ministério Público do Trabalho e ao Tribunal de Contas para que eles busquem esta defesa. A legislação brasileira é bem clara”, resumiu.

Fonte: Correio do Povo