Sério Vaz declamou poemas, relembrou o passado e falou sobre suas experiências da periferia | Foto: CCS/Divulgação/OA
Sério Vaz declamou poemas, relembrou o passado e falou sobre suas experiências da periferia | Foto: CCS/Divulgação/OA

O poeta e criador da Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia), que realiza saraus de poesia na periferia de São Paulo, Sérgio Vaz, realizou na noite de quinta-feira (10) encantou e motivou os visitantes da feira do Livro com sua palestra e sessão de autógrafos.

Durante a atividade, considerada um dos destaques desta edição do evento, Sérgio cativou e provocou o público a refletir sobre as ações e arte que podem surgir da periferia.

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Ao declamar poemas, o autor lembrou de fatos pitorescos de sua vida. “Em 83, quando servi o Exército, ainda na ditadura, cantava ‘Pra não dizer que não falei de Flores’, do Geraldo Vandré, na cozinha do Exército e me xingavam ou me taxavam de louco”, recordou.

O escritor detalhou o trabalho desenvolvido pela Cooperifa e a força da arte das periferias. “Minha poesia é de protesto. Ela começou, inicialmente, a falar da rua que moro para transformar minha comunidade”, avaliou. “Descobri que com a poesia que o cara pode usar as palavras para libertar seu país. Revolucionário é aquele que quer mudar o mundo e começa a mudar a si mesmo”.

As dezenas de pessoas que acompanharam a apresentaram também saíram motivadas. Sérgio destacou a vontade de sempre ir em frente. “Vamos à luta, milagres acontecem quando a gente vai à luta, um dos maiores inimigos que temos somos nós mesmos quando desanimamos, quando desistimos de lutar. A cultura da periferia também é muito rica e temos o poder de transformar”, afirmou. Ele também salientou o papel da literatura e da leitura: “Quem lê enxerga melhor, se torna mais consciente”.

O poeta também engrossou o caldo de elogios à iniciativa do Vale Livro, que também já tinha sido bem avaliada pelo patrono da Feira, Dilan Camargo. “ Uma ideia fantástica, fiquei de boca aberta quando soube desta iniciativa. Não dá para usar a literatura apenas como ação metafórica. É preciso ações como essa do vale livro para se avançarmos”, disse.

Ao final da palestra, uma ação artística levou para os céus da cidade poemas escritos pelo público que acompanhou a apresentação. Os balões de gás, contendo as criações, foram lançados da praça João Goulart, no Centro.

Ao final do encontro, público escreveu poemas, colocou dentro de balões e lançaram criação pelos céus de Alvorada | Foto; CCS/Divulgação/OA
Ao final do encontro, público escreveu poemas, colocou dentro de balões e lançaram criação pelos céus de Alvorada | Foto; CCS/Divulgação/OA

Fonte: O Alvoradense