Dique se rompeu na madrugada do dia 31 de agosto e alagou vilas da zona Norte de Porto Alegre | Foto: Ricardo Giusti/CP/Especial OA

Apesar da convicção da administração da Capital de que foi criminoso o rompimento de dique no bairro Sarandi, na zona Norte de Porto Alegre, a Polícia Civil concluiu o inquérito sem identificar os indícios de crime apontados pela prefeitura. O documento foi encaminhado ao judiciário nessa segunda-feira (25). O incidente resultou no alagamento de cerca de 700 casas, no fim de agosto.

De acordo com o delegado Omar Abud, a perícia ficou prejudicada pelo trabalho de servidores da prefeitura, que precisaram interferir no rompimento para conter o alagamento. A intervenção, no entanto, pode ter consumido provas, cogitou o policial. “Não houve elementos para apurar a autoria”, concluiu o delegado.

O chefe do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) chegou a entregar documentos e prestar depoimento levantando a suspeita de que a abertura do dique foi resultado de sabotagem. Tarso Boelter disse à polícia, na época, que as prefeituras de Alvorada e Cachoeirinha haviam procurado o DEP para solicitar a abertura das comportas da represa, o que foi negado.

Boelter também mostrou mais de 400 fotografias do local na tentativa de ajudar no trabalho da polícia. O dique represa o rio Gravataí. O secretário de Defesa Civil de Porto Alegre, Ernesto Teixeira, classificou o caso como sendo a maior tragédia de derramamento de água em Porto Alegre depois da grande enchente de 1941.

Em agosto, antes do rompimento do dique uma reportagem d’O Alvoradense já havia alertado sobre as possibilidades disso acontecer.

Em entrevista concedida ao portal o diretor do Dep Tarso Boelter havia afirmado que a abertura das comportas para o escoamento da água represada no terreno apenas transferiria o problema para cerca de 20 mil pessoas da Zona Norte de Porto Alegre.

Na época, uma reunião com técnicos das prefeituras das duas cidades instalaram uma bomba para iniciar o escoamento. A medida não funcionou “Essa bomba tem o efeito mais psicológico do que prático”, revelou uma fonte da prefeitura que acompanhou de perto o processo para conseguir trazer o equipamento para a cidade.

Dique localizado na zona norte foi rompido no final de agosto | Arte: Jonathas Costa / OA
Dique localizado na zona norte foi rompido no final de agosto | Arte: Jonathas Costa / OA

Fonte: O Alvoradense / Com informações Correio do Povo