Salas de aula da escola Alice de Carvalho se transformaram em "set" de gravação | Foto: Jonathas Costa / OA

Apesar de os corredores da escola Alice de Carvalho, no bairro Piratini, esta-rem vazios naquela tarde quente de sábado, um mundo novo se criava dentro da sala de aula de número seis.

Quatro membros da equipe do Alvoroço Filmes dirigiram mais de 15 pessoas, na sua maioria crianças, nas gravações do curta “Traz Papel”. Essa é uma das cinco produções que foram gravadas após o término dos oficinas sobre dicção e interpretação, que perduraram todos os meses de janeiro e fevereiro e contaram com a participação de 100 alunos de várias regiões de Alvorada.

As cenas, que são gravadas de forma descontínua, são repetidas muitas vezes. Mas não há reclamação. Todos os alunos que participam levam o trabalho muito a sério. É o caso de Matheus Couti-nho, de 12 anos. Protagonista do curta, ele conta que nunca havia atuado antes. “Já fiz participações em peças da escola, mas assim, num filme, nunca”. A novidade, no entanto, parece ter vindo para ficar. A atuação de Matheus em frente às câmeras surpreendeu toda a equipe. “Esse guri vai longe”, prevê Evandro Berlesi, mentor do Alvoroço.

A atividade, alias, é certamente um dos mais bem sucedidos projetos sociais da cidade. Apesar de as gravações terem acabado, as transformações nas vidas das crianças que atuaram nos curtas não vão terminar tão cedo.

A integração entre alunos de várias escolas, idealizada por Evandro, deu certo.
No começo das oficinas, poucos se conhciam. Agora, no apagar das luzes do projeto, novas amizades se formaram. Algumas delas, garantem os alunos, deverão ser duradouras. Um ambiente perfeito, inclusive, para surgimento de novos amores. Entre uma gravação e outra, alguns beijos levados acabaram surgindo.

Nos bastidores, clima de diversão

Há quem imagine que passar um sábado inteiro traba-lhando pode ser ruim. Mas não foi o que aconteceu com os alunos que participaram das gravações do curta “Traz Papel”. Mesmo enfrentando uma tarde de calor intenso em um ambiente sem arcondicionado, crianças e adultos riram o tempo todo.

Dois policiais da Brigada Militar participaram das gravações e também acabaram entrando no clima. “Conseguimos um feito inédito”, comemorou, brincando, Evandro, ao ver os brigadianos sorrindo. Um dos policiais retrucou: “Nosso trabalho não são só coisas ruins. Às vezes é bom mudar os hábitos. Isso mostra o outro lado a Brigada Militar”, explicou.

Veja as fotos da gravação:

Fonte: O Alvoradense