Santa Maria vive dia de homenagens aos mortos no incêndio na Boate Kiss, que completa um ano nesta segunda-feira (27) | Fernando Frazão / Agência Brasil / OA
Santa Maria vive dia de homenagens aos mortos no incêndio na Boate Kiss, que completa um ano nesta segunda-feira (27) | Fernando Frazão / Agência Brasil / OA

Dificilmente algum gaúcho esquecerá a madrugada do dia 27 de janeiro de 2013. O incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria, deixou 242 mortos, 100 feridos e um país inteiro em estado de choque. Nesta segunda-feira (27), a maior tragédia da história do Rio Grande do Sul, e uma das maiores do Brasil, completa um ano.

Na Rua dos Andradas, palco daquela noite de horror, a madrugada foi de vigília. Familiares e amigos das vítimas permaneceram no local ao longo de toda a noite e, no horário em que o fogo começou, foram acesas 242 velas – 115 rosas, representando as meninas, e 127 brancas, representando os meninos.

Também durante a noite as silhuetas de 242 pessoas foram pintadas no asfalto em frente à fachada da Kiss. Uma faixa contra a impunidade foi pendurada no prédio pedindo a punição dos culpados pela tragédia.

Velório coletivo, no Ginásio de Esportes de Santa Maria, dimensionou o tamanho da tragédia para o mundo | Foto: Wilson Dias / Agência Brasil / OA
Velório coletivo, no Ginásio de Esportes de Santa Maria, dimensionou o tamanho da tragédia para o mundo | Foto: Wilson Dias / Agência Brasil / OA

A tragédia
O incêndio na boate Kiss vitimou 242 pessoas na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013. O fogo começou por volta das 2h30min, no Centro de Santa Maria e deixou mais de 620 feridos. Os jovens participavam de uma festa – chamada de Agromerados – organizada por estudantes do curso de Agronomia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

À época, quatro pessoas foram presas: os sócios da casa noturna Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann; o vocalista da banda Gurizada Fandangueira, que tocava no evento, Marcelo de Jesus dos Santos; e o produtor do grupo, Luciano Bonilha Leão. Eles receberam habeas corpus quatro meses depois.

De acordo com testemunhas, as chamas começaram quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira acendeu um artefato pirotécnico no palco. Uma faísca originada pelo objeto encostou no teto forrado de espuma da casa noturna. As pessoas demoraram para perceber o fogo e, para piorar a situação, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram, conforme relatos. O incêndio se espalhou rapidamente. A falta de saídas suficientes prejudicou a evacuação do lugar.

Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta da boate e correram para os banheiros, mas as basculantes estavam bloqueadas por tábuas. Alguns conseguiram fugir em direção à saída, mas ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e isso dificultou a visão das pessoas. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos.

A espuma usada para abafar o som do ambiente era imprópria para uso interno e produziu substâncias tóxicas, como cianeto, o que teria causado a maioria das mortes. A boate funcionava com documentação irregular e estava superlotada. O sinistro foi considerado o segundo maior no Brasil em número de vítimas em um incêndio. Foi superado apenas pela tragédia do Gran Circus Norte-Americano, ocorrida em 1961, em Niterói, no Rio de Janeiro, que causou 503 mortes.

Mais de 230 corpos foram retirados de dentro da boate após o incêndio, mas o número de vítimas fatais chegou a 242 nos meses seguintes | Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil / OA
Mais de 230 corpos foram retirados de dentro da boate após o incêndio, mas o número de vítimas fatais chegou a 242 nos meses seguintes | Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil / OA

Fonte: O Alvoradense / Com informações do Correio do Povo