Vários jovens compareceram na 1ª edição do Rock da Praça | Foto: Fernanda Escouto / OA
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Quem não conhece a praça central do município de Alvorada, localizada no coração da cidade, em frente à prefeitura e rodeada por outros poderes? Quem já não comeu uma pipoca ou churros e esperou o ônibus para voltar casa ou para ir para o serviço em frente a praça na parada da 48?

A praça tem seus donos e seus frequentadores diariamente. Pessoas e cachorros andam por ela dia e noite. Um camelódromo que ocupa boa parte da praça, um Chimarródromo sem sentido, que tem mais pó da faixa que água quente. Um palco que é ocupado raramente pelo povo e frequentemente pelos eventos governamentais. A Praça não tem dono? Claro que têm!

Têm épocas de feira do livro, a praça está ocupada.

Têm épocas de acampamento farroupilha, a praça está ocupada.

Têm épocas de feira do peixe, a praça está ocupada.

Em ano de eleição, a praça vai estar ocupada.

Então, enfim.

A Praça não tem dono? Claro que têm!

Como você gostaria de ocupar a praça que já está ocupada? – Eu escolheria um circo tradicional de lona, para ver as famílias no picadeiro, os malabaristas, o globo da morte, a corda bamba e dar boas risadas com os tropeços de um palhaço.
Mas ouvi falar, que em algumas cidades o circo para ficar na praça precisa pagar uma taxa de dupla tributação. Em outras cidades, uma propina de corrupção.

Nos belos domingos da praça da 48, que não é um shopping mas é a atração da cidade. Têm encontros de amigos, família, cadeira de praia, chimarrão e muitas historias para contar. Crianças jogando bola, pista de skate, gente andado de bicicleta, outros que ficam sentados até altas horas.

– Outro dia, eu tive um sonho, dessa praça que tem dono, dessa praça que está ocupada. Que os marcianos estiveram em Alvorada, e colocaram uma enorme câmera localizada dentro da prefeitura, assim todos que estiverem passeando serão monitorados. Diversas plaquinhas de “Sorria que você está sendo filmado” estavam espalhadas pela praça. Todos os movimentos das pessoas eram mecânico, ninguém podia fazer além do que já estava determinado, tudo era controlado. Estava tudo proibido, até o direito a livre a expressão. Perdemos a liberdade de ir e vir, somos vigiados o tempo todo. Pelos donos da praça, pelos donos das emendas, pelos donos do voto.