Aos 45 anos sargento se tornou o rosto "social" da Brigada Militar de Alvorada | Foto: Amanda Fernandes / OA
Aos 45 anos sargento se tornou o rosto “social” da Brigada Militar de Alvorada | Foto: Amanda Fernandes / OA

São 27 anos de trabalho como militar, uma série de projetos sociais, aulas para crianças e adolescentes e mais recentemente, a presidência de um clube social. Quem não conhece a rotina do sargento Elias Valdez pode imaginar que se tratam de três histórias diferentes, mas na verdade são apenas três facetas de uma pessoa que se desdobra para garantir um futuro melhor para a cidade que o acolheu.

Atualmente, todas as ações sociais em atividade da Brigada Militar de Alvorada, se não foram idealizadas por ele, tiveram sua participação e contribuição muito ativa.

Valdez, que é natural de Gravataí, se mudou para Alvorada no mesmo ano que foi enviado para atuar na BM da cidade. Ma época não haviam ônibus que fizessem a linha Alvorada-Gravataí em nenhuma das empresas que atendiam as duas cidades. Foi em 1990 que ele percebeu que poderia, através da cidadania e da educação, mudar as vidas de alguns jovens o que garantiria a possibilidade de um futuro melhor para as próximas gerações.

Desde o começo de suas atividades na Brigada Militar, o sargento de fala calma e riso fácil optou por utilizar-se muito mais das palavras e da inteligência do que da força para fazer valer a autoridade que lhe foi imposta pelo Estado.

Entre os projetos idealizados por ele e colocados em prática pela BM estão o Quartel Legal, o Mascote da BM, as Caravanas da Cidadania, além de diversas palestras em escolas e participações de eventos, inclusive no interior no Estado. Não raro, Valdez deixa suas atividades com a familia e com o trabalho em Alvorada para percorrer o Estado dando palestras e conversando com as comunidades.

Segundo ele, é em sala de aula, falando com os jovens, que ele se sente realizado. Para ele, que carrega como lema pessoal a frase “o caminho é dar de si antes de pensar em si”, a realização de saber que uma vida foi mudada, que um tabu foi quebrado e que o conhecimento chegou à alguem é parte da sua realização pessoal.

Trabalho Social
Quem observa a desenvoltura de Valdez falando para uma classe atenta não imagina que em suas primeiras aulas ele não se sentia confiante nem perante crianças pequenas. Ele lembra que nas primeiras ações em que se viu diante de uma turma o nervosismo quase o paralisou. Foi o incentivo de dois colegas de corporação que o levaram às salas de aula para as orientações sobre cidadania, trânsito, comportamento e hierarquia.

Além das aulas, as iniciativas da brigada visam a inclusão e a desmistificação do papel do policial militar. “As crianças, principalmente as menores, tem uma visão que o brigadiano vai até a casa delas para prender o pai, a mãe o irmão delas. Elas precisam perceber que o brigadiano é alguém em quem elas podem confiar, por isso essas ações”, justifica.

Fora da brigada, o trabalho social não para. Há cerca de um ano como presidente do Rotary Clube de Alvorada ele desenvolve ações de aproximação do clube com a comunidade. Desde o ano passado, quando assumiu a presidência da instituição, intensificou as ações sociais e a promoção de eventos para arrecadar doações para creches, escolas e as comunidades mais carentes de Alvorada. Algumas das iniciativas promovidas pelo Rotary ficarão, com certeza, na história da cidade.

Um exemplo, foi o trabalho realizado durante a grande enchente que atingiu a cidade em setembro do ano passado. O Rotary uniu esforços com toda a sociedade civil para arrecadar roupas e alimentos para os flagelados.

Assim como tantas outras pessoas que visam um futuro melhor para a cidade que as viu crescer, ou como no caso as acolheu, Valdez é um exemplo de que pequenas ações podem mudar o futuro de uma comunidade inteira.

A disciplina e os conceitos de hierarquia também são abordados pelo sargento professor em suas aulas | Foto: Amanda Fernandes / OA
A disciplina e os conceitos de hierarquia também são abordados pelo sargento professor em suas aulas | Foto: Amanda Fernandes / OA

Fonte: Amanda Fernandes / OA