O clima nervoso do debate transmitido ontem pela TVE ainda não mudou. As regras do programa foram alteradas na terça-feira e, na opinião do candidato do PTB, Professor Borba, a coligação Frente Popular acabou favorecida. O petebista chegou a entrar coma liminar pedindo a revogação das alterações, que acabou sendo aceita pelo Juiz Roberto Coutinho Borba da 74ª Zona Eleitoral de Alvorada.

A emissora, no entanto, produziu um requerimento de revogação da decisão e minutos antes do programa começar o Magistrado voltou atrás mantando as alterações, o que garantiu a exibição do debate.

Segundo a TVE, o acordo prévio assinado em julho contemplava o sorteio ao vivo, o que após o primeiro programa se mostrou inadequado em função do tempo. A partir daí, as candidaturas envolvidas nos debates passaram a ser chamadas para a realização de sorteios prévios. Este mesmo mecanismo foi utilizado nos programas que receberam os candidatos de Guaíba, Cachoeirinha e Sapucaia do Sul.

Do acordo original, também foi alterado o número de blocos de enquetes, de dois para um. As enquetes são entrevistas realizadas previamente com a população de cada município sobre a realidade local. Essa alteração, explica a emissora, também foi feita em função do tempo do programa.

Professor Borba: “A decisão foi tomada as pressas para proteger o candidato petista”

De acordo com Professor Borba, a coligação entrou com o pedido de ratificação das regras do programa por não concordar com o acordo feito após a troca sugerida pela produção do debate. O candidato afirmou que uma reformulação nas regras na véspera favoreceria o candidato petista, Professor Serginho. O principal problema apontado pela sua coligação foi o fato de que o oponente podia lhe fazer perguntas, mas Borba não tinha como questionar ao candidato.

O petebista se sentiu lesado pela organização e afirmou que vai fazer uma manifestação quanto a posição da TVE no caso.

Professor Serginho: “O debate poderia ser cancelado por causa disso”

De acordo com Serginho a decisão do juiz fez justiça ao acordo inicial firmado pelas coligações e a emissora quando foi definido o debate. “É muito fácil mudar as regras depois de assinado o acordo”, comentou.

De fato o programa estaria ameaçado caso o Juiz não revogasse seu parecer inicial. A decisão em manter o debate foi tomada após o Magistrado divulgar que “houve tentativa de indução ao erro por parte da coligação quando afirmou não estar de acordo comas regras do programa”. De acordo com a TVE, emissora que realizou o debate, as três coligações que participaram do debate tinham ciência das mudanças nas regras e estavam de acordo com elas.

Mário do Metrô: “Fui usado pelo Borba”

Já o candidato Mário do Metrô afirmou que seu partido, o PSC, foi usado como massa de manobra no episódio. Segundo ele, a coligação Alvorada de Um Novo Tempo lhe certificou que o documento assinado pela sigla solicitando explicações sobre as novas regras do programa à emissora não seria utilizado na Justiça. “Éramos os mais interessados na realização do debate”, afirmou.

De acordo com o candidato, o documento assinado deveria ser entregue à TVE para questionar as mudanças nas regras do programa. Mario afirma, inclusive, que o candidato do PTB usou de má fé ao enviar o documento à Justiça.

Fonte: O Alvoradense