O Ministério Público (MP) do Estado deflagrou nesta quinta-feira (07) a operação Leite Compensado III nos municípios de Giruá, Nova Candelária e Três de Maio, no Noroeste gaúcho. Novamente o MP apura denúncias de adulteração no leite e devem ser cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em quatro lugares.

Na casa dos donos da Transportes Reidel & Dias Ltda, no bairro Oriental em Três de Maio, foram encontrados 50 litros de soda cáustica. Também foram localizadas notas fiscais de compra da soda e de peróxido de hidrogênio, conhecido como água oxigenada – usada para reduzir o processo de envelhecimento do leite. De acordo com o MP, em pequenas concentrações não causa danos à saúde, mas em alta concentração pode levar até à morte.

Um dos locais de busca é uma residência no bairro Jardim das Acácias, em Três de Maio, onde funciona a transportadora. Ao lado da casa, fica um galpão onde o leite seria adulterado. Lá foram encontrados resfriadores – o que não é permitido para uma transportadora. Também foi localizado sal de cozinha, que pode ser usado para maquiar a quantidade de água colocada no leite. Ainda foram encontrados químicos e uma amostra será analisada para identificar os componentes.

Segundo o MP, a transportadora investigada recolhia leite em Três de Maio e entregava na indústria Bom Gosto, em Giruá. O MP chegou até a empresa em razão do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado em função de fraudes identificadas anteriormente – em que a indústria de Giruá se comprometeu a informar quando fosse encontrado leite adulterado. Em três análises foram identificadas adulterações e o MP foi avisado.

A operação é coordenada pelo promotor de Justiça Especializada Criminal Mauro Lucio da Cunha Rockenbach, e conta com o apoio do promotor de Justiça Especializada de Defesa do Consumidor, Alcindo Luz Bastos da Silva Filho, e do promotor de Justiça de Três de Maio, Pablo da Silva Alfaro.

O esquema:
A fraude seria comandada pelos donos da transportadora – Airton Jacó Reidel, 31 anos, e a mulher Rejane Dias, 32 anos. Os sobrinhos – Laercio Rodrigo Baumgarten, 26 anos, e Roberto Carlos Baumgarten, 27 anos – são motoristas da empresa.

Segundo o MP, um dos caminhões da transportadora era usado como uma espécie de “batedor”. Um motorista ia até a indústria em Giruá para verificar se havia fiscais do Ministério da Agricultura e informava aos demais condutores da empresa.

Se não havia fiscalização, o leite adulterado era distribuído para a indústria. Mas se houvesse fiscais, a bebida ia para queijarias, onde o controle costuma ser menos rigoroso.

Fonte: Correio do Povo