Os 38 policiais receberam orientações de como agir em situações de risco nas ruas de Alvorada | Foto: Aline Vaz / OA

Permanecer longe de casa, para os 38 policiais do Pelotão Especial de Apoio Operacional de São Miguel das Missões, não é nada fácil. Em casos como este, quando bate a saudade é preciso encontrar alternativas para tentar minimizar a falta que faz a família. Ir de uma cidade com oito mil habitantes situada no noroeste do Estado para Alvorada, município localizado na região me-tropolitana, com 211 mil habitantes e considerada uma das mais violentas do Rio Grande do Sul, é no mínimo impactante. Duas cidades gaúchas, mas com realidades extremamente distintas, esse é o desafio dado a um pelotão motivado a diminuir em 20% os números de homicídios na região.

Como atuam em realidades diferentes da existente em Alvorada, que registra altos índices de assassinato e roubo de veículos, eles foram submetidos a instrução de tiros. O objetivo é aperfeiçoar os novos policiais militares. No dia 17, a reportagem d’O Alvoradense acompanhou uma aula de tiro dos PMs. Os policiais já tiveram palestras, familiarizaram-se com o território e tiveram aulas de abordagem e de barreiras. No caminho para o treinamento, podemos perceber que o grupo é unido e que está pronto para ajudar na operação. Para o soldado Gilmar Belmonte, de 26 anos, as brincadeiras fazem parte, pois assim é mais fácil enfrentar as dificuldades e, principalmente, o fato de estar longe dos familiares. “O clima aqui é muito positivo, e isso certamente influencia no nosso trabalho”, comenta Belmonte, animado.

O soldado Belmonte é de Joia, cidade a 40 km de Ijuí. Ele deixou sua esposa e um filho de 1 ano e 6 meses para ser voluntário na Força-Tarefa. Para ele, a realidade aqui é bem diferente, e o impacto foi grande ao conhecer uma região muito pobre e violenta. “À primeira vista, houve certo receio, pois a realidade aqui é muito diferente, mas com o tempo a gente se acostuma e acaba se ambientando com a região. Sinto muita falta do meu filho, é claro, mas duas vezes ao dia eu entro em contato com minha esposa para saber como todos estão.”

No treinamento, o capitão Venturella falou sobre os fundamentos do tiro. Foram dadas, entre outras, as regras de segurança, procedimentos em situações diversas, manejo, prática com munição de manejo e manutenção da arma (limpeza e lubrificação). Para Venturella, o grupo está qualificado. “O objetivo do treinamento é fazer o policial ver seus próprios erros e assim melhorar sua qualificação. Pude perceber que o grupo é bom e está pronto para a missão”, salienta o comandante. Segundo o capitão, todos os policiais gaúchos são submetidos a reciclagens anuais de 50 horas-aula em Cursos de Formação Profissional.

Dos 38 militares, quatro são mulheres. A soldado Karina diz que sente saudade dos fami-liares: “Ligo para minha família quase todos os dias, e em dias de folga vou para a casa matar a saudade dos parentes”, fala, animada por poder rever a família. O tenente Luiz Calors Lemes do pelotão conta que a apreensão e curiosidade faz parte do cotidiano dos policiais. “A taxa de criminalidade de onde viemos é bem menor. O receio existe, mas o grupo está trabalhando e temos como principal objetivo diminuir a criminalidade”, salienta motivado o tenente Lemes. Ele acredita que as diferentes realidades não tornam soldados interioranos mais vulneráveis.

 

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Fonte: Aline Vaz / OA