Fila não cabia na calçada, avanou sobre a rua e se estendeu até a outro quadra do bairro | Foto: Jonathas Costa / OA

A sexta-feira, dia 1º, foi de muito tumulto e reclamação no setor de autorização de exames da Secretaria Municipal de Saúde, localizado no prédio ao lado do Pam 8, na rua Ceará, no Centro.

Os primeiros pacientes em busca de liberação para a realização de procedimentos simples como exames de sangue, urina e fezes, chegaram ainda na noite de quinta-feira. Nas primeiras hora da manhã de sexta, eram mais de 300, número de chegou a dobrar por volta das 10 horas e levar a fila da porta do prédio até a rua Justo, na outra quadra.

Quem passava pela região, não conseguia acreditar no no que via. Quem esperara para ser atendido, muito menos. Bastante insatisfeitos com a demora, algumas pessoas perderam a paciência e reclamavam em voz alta. Muitos foram os momentos de tensão, que chegaram a despertar a preocupação da Brigada Militar. Agentes foram acionados para o local e ficaram ao longo da manhã auxiliando na organização da enorme fileira de pessoas. Parte delas ainda ficou fora da calçada, em meio ao intenso fluxo de carros do local.

Na porta do prédio, uma funcionária grávida, que dizia não pertencer ao setor, fazia a triagem de quem entrava no local. A intenção era evitar que outras pessoas passassem na frente daqueles que aguardavam para serem atendidos. Idosos, gestantes e deficientes não tinham preferência.

Jaime tentava pelo segundo mês

Jaime Santos temia perder o prazo da segunda consulta | Foto: Jonathas Costa / OA
Jaime Santos temia perder o prazo da segunda consulta | Foto: Jonathas Costa / OA

Jairo Santos, de 49 anos, enfrentou a fila pelo segundo mês consecutivo. Segundo ele, em julho também houve limite de fichas e mesmo tendo ficado por horas aguardando ser atendido, a liberação não foi realizada. Com um encaminhamento do médico prescrito no dia 21 de maio, ele temia que o prazo de 90 dias vencesse sem conseguir realizar os exames. Após receber o carimbo, ele teria que disputar ainda uma das fichas do laboratório.

Erodite foi para a fila às 6h30min

Erodite Valentin, de 82 anos, esperou por três horas para conseguir a autorização | Foto: Jonathas Costa / OA
Erodite Valentin, de 82 anos, esperou por três horas para conseguir a autorização | Foto: Jonathas Costa / OA

Eliane Silva, de 54 anos, foi para a fila às 6h30mim e teve que levar a mãe, Erodite Valentin, de 82. O motivo foi o limite de exames autorizados, um por pessoa. Como as duas precisavam realizar coleta de sangue, ambas enfrentaram três horas de espera e saíram de lá sem a autorização para os exames do filho pequeno de Maria Cleusa, que não estava junto com elas. Dona Erodite levou uma cadeira e aguardou o atendimento na calçada.

Mudanças sem o aval da Secretaria
Em entrevista a’O Alvoradense, a secretária de Saúde Janete Conzatti afirmou que nunca houve restrição de atendimento no setor de autorização de exames e tão pouco limite de dias por mês em que os pedidos são carimbados. “Nós nunca trabalhamos com fichas. Não sei o motivo de adotar este sistema agora”, questionou Conzatti.

Segundo ela, a mudança na forma de atendimento no setor foi tomada sem sua autorização, de maneira arbitrária e equivocada. Ainda na tarde de sexta um funcionário apontado como o responsável pela mudança foi afastado do cargo. A partir da próxima segunda-feira, dia 3, novos servidores serão treinados para atuarem no setor.

A secretária explica que cada laboratório recebe repasses mensais de R$ 30 mil para a realização de exames e cada um deles, são três ao todo, possuem uma forma específica para fazer o atendimento dos pacientes. “Nosso papel é carimbar o pedido e autorizar o exame. Quanto a isso não há qualquer tipo de restrição”, esclarece.

Além dos três laboratórios conveniados, há ainda o Hospital de Alvorada e o Laboratório Municipal que também realizam os procedimentos. Por mês, mais de 30 mil exames são realizados pela rede pública.

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Fonte: O Alvoradense