Experiente o procurador destaca que o mais importante é não esmorecer diante das dificuldades | Foto: Jonathas Costa / OA

Um dos procuradores mais respeitados do Estado iniciou sua carreira em Alvorada e teve aqui parte de suas experiências. Ele, que trabalhou na cidade durante o ano de 1998, pode perceber algumas particularidades locais, e afirma  que um dos pontos mais importantes na vida de uma população é ter de volta o protagonismo de suas ações. Identificar lideranças e buscar o equilíbrio entre todos os membros da administração é um dos pontos destacados pelo procurador como fundamentais para a caminhada pela igualdade.

Muitos lutam pela igualdade racial do Rio Grande do Sul, e o trabalho do procurador Jorge Terra vem para contribuir com essa luta. Segundo ele, um dos pontos mais importantes para a militância é jamais abandoná-la. É preciso formar lideranças preparadas para os embates que podem surgir na busca pela igualdade. Foram séculos de segregação de um povo que tem uma contribuição essencial na formação da cultura gaúcha e que, ainda hoje, não é reconhecido.

Membro da Rede Afro-Gaúcha de Profissionais do Direito, afirma que o embate étnico-racial só pode ser combatido com educação e uma militância consciente de suas responsabilidades, além do comprometimento vindo dos órgãos administrativos em promover a igualdade. De acordo com ele, é preciso haver a criação de um consenso entre todos os lados da sociedade para que os objetivos sejam alcançados.

Toda caminhada é difícil, segundo ele, mas não se pode esmorecer diante das dificuldades. As populações, mesmo as mais carentes, precisam perceber que são elas que devem tomar as rédeas de suas próprias vidas. “Se os governos não fazem, só se tem uma alternativa: fazer”, defende. “Minha missão é identificar essas pessoas que querem fazer, que estão fazendo algo para mudar suas realidades e tentar ajudá-las”, afirma o procurador.

Jorge, que teve uma infância simples, diz que são três os ensinamentos vindos de casa que lideram a sua luta pela igualdade. O primeiro veio da avó, que dizia que ninguém é melhor nem pior do que o outro; isso fez com que ele crescesse sabendo que poderia fazer qualquer coisa. O segundo, da mãe: ela sempre dizia para ele, quando menino, que era preciso devolver o troco. Esse ensinamento simples fez com ele entendesse os princípios de honestidade que carrega até hoje na vida. O último, mas não menos importante, veio do avô, que o ensinou a chutar com a perna esquerda. Os treinos junto do avô o fizeram perceber, depois de adulto, a importância da persistência, e que é possível aprender qualquer coisa.

Autoconfiança e autoestima são características que devem ultrapassar as barreiras do ser e atingir a sociedade como um todo. “As populações precisam saber encaminhar suas próprias vidas”, afirma.  Mesmo em pouco tempo de trabalho na cidade, o procurador pode perceber algumas carências da população. Uma carência que nem sempre é financeira, mas que também pode ser percebida quando o povo entrega totalmente para os membros do governo algumas decisões que tem que ser tomadas pelo próprio povo.

Os governos têm o dever de garantir condições para que a população cresça e se desenvolva. Isso acontece com a qualidade no ensino e com condições de trabalho, para que as pessoas possam buscar saídas para melhorar suas vidas.

 

Fonte: Amanda Fernandes / O Alvoradense